Planos de explosão e sequestro foram feitos com base em informações de Beira-Mar, suspeita polícia

BRASÍLIA — O plano que chefes de uma organização criminosa detidos no presídio federal de Rondônia tinham para explodir carros-bomba, sequestrar agentes públicos e matar diretores de presídios federais, revelado nesta quinta-feira pela Polícia Federal (PF), teria contado com o know-how do traficante Luiz Fernando da Costa, conhecido como Fernandinho Beira-Mar, segundo documentos obtidos pelo GLOBO.

RondôniaAs investigações, que culminaram na operação deflagrada nesta quinta-feira pela PF, interceptaram diálogos em que Beira-Mar explica ao detento Abel Pacheco as ações que ele aprendeu com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) quando esteve naquele país.

Na conversa, travada quando os dois detentos estavam na mesma ala na prisão federal de Mossoró, Beira-Mar, do Comando Vermelho, detalha as táticas usadas pela guerrilha para pressionar o governo a conceder benesses dentro da cadeia e até facilitar fugas. Depois, Abel Pacheco, da cúpula do PCC, foi transferido para o presídio de Porto Velho, a partir de onde começou a traçar o plano, de acordo com as investigações.

Abel e outros dois presos em Rondônia foram alvos de novos mandados de prisão por planejarem os atentados. Beira-Mar não é formalmente investigado. Mas o juiz federal Walisson Gonçalves Cunha, que autorizou a operação da PF, assinalou uma possível influência do traficante. “O modus operandi (planejamento, ações, alvos, objetivos, etc) das operações criminosas (…) foi, provavelmente, baseado nas informações repassas por Luiz Fernando da Costa”, escreveu na decisão.

Nos diálogos interceptados com autorização judicial, Beira-Mar diz que é preciso “fazer como os mexicanos” e não apenas ficar “contratando doutor”, numa referência aos advogados. Os dois então defendem o uso de fuzis de alta precisão, como o AK-47 (Kalashnikov) e o Imbel MD, aponta a transcrição da conversa.

“A gente tem que fazer como os mexicanos lá, tá ligado? Tem que trabalhar no mesmo ritmo dos mexicanos. Só assim, contratando doutor…” diz Beira-Mar. Abel Pacheco responde: “Kalashnikov! Doutor Kalashnikov que é bom!”. E o interlocutor concorda: “É, doutor Kalashnikov; doutor MD”.

Em outro trecho, Beira-Mar fala dos sequestros e assassinatos perpetrados pelas FARC para reivindicar visitas de parentes: “A guerrilha foi, pegou umas autoridades, três ou quatro autoridades, aí falou: ó, dou tantos dias pá, dou tantos dias pá liberar (…) pegava logo três ou quatro, entendeu? Aí pegou, pá! Aí (inaudível) aí na primeira vez deu 30 dias, entendeu? Na segunda vez deu 15 dias, tá ligado. Ah! Não esperaram a segunda vez não, quando foi da segunda vez, com menos de 10 dias abriram as pernas”.

Beira-Mar conta também sobre explosões em linhas de transmissão de energia feitas pelos guerrilheiros: “Quando eu cheguei os caras tavam me contando, e falou: pô, vocês lá no Brasil, vocês não sabem usar a força que vocês têm. Aí eles, aí o que que eles fizeram? A outra fita que eles fizeram lá, não tem aquelas usinas de transmissão, tá ligado? (…) Aí eles começaram a dinamitar tudo quanto é torre de transmissão de energia lá”.

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