PIB de Minas Gerais registra queda de 0,7% no 2º trimestre

O Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais apresentou retração de 0,7% na série com ajuste sazonal no segundo trimestre deste ano em comparação ao primeiro trimestre, enquanto no Brasil houve crescimento de 0,4% no mesmo período. A estimativa preliminar para o PIB do Estado totalizou R$ 155,8 bilhões no segundo trimestre de 2019. Os dados foram divulgados ontem pela Fundação João Pinheiro.

De acordo com Raimundo Filho, coordenador do núcleo de contas regionais da entidade, “uma variação negativa de 0,7% em termos reais, considerando que isso aconteceu num único trimestre, significa uma perda de recursos muito grande tanto para a economia quanto para a cidade e para o próprio governo”, salienta.

Os números negativos foram puxados pela suspensão da extração mineral nas usinas paralisadas por causa do rompimento da barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), em janeiro.

Após a paralisação temporária de operação de diversas minas, a produção na indústria extrativa estadual apresentou recuo de 22,2% no segundo trimestre em comparação ao primeiro. Em relação ao mesmo período do ano passado, a queda foi de 42,6%.

“É uma causa totalmente exógena, mas a implicação é grave porque ela significa que numa situação que já estava muito difícil de administrar, nós vamos ter que lidar com uma restrição adicional de recursos”, salienta Filho.

Crescimento anterior – Já quando o assunto é a comparação entre os 12 meses completados em junho de 2019 e os 12 meses completados em junho de 2018, o crescimento do PIB, em termos reais, foi de 0,6%. Mesmo com o incremento, o resultado foi menor do que o crescimento estimado para a economia do País no mesmo período, de 1%, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Se a gente pegar os quatro trimestres que completaram em junho, os dois últimos afetados pelo problema da extração mineral, e compararmos com os quatro trimestres que foram completados em junho de 2018, a gente ainda identifica, apesar dessa crise mais recente, um crescimento que vinha acontecendo”, destaca o coordenador do núcleo de contas da Fundação.

De acordo com Raimundo Filho, apesar de o resultado ser basicamente positivo, ainda é muito pequeno.

“É uma recuperação desejada, necessária, porém lenta e fraca. O importante é que esse último problema mais conjuntural seja rapidamente superado, que uma recuperação nos próximos meses venha e que venha de uma maneira um pouco mais forte do que a gente observou no passado recente. É urgente que a economia do Brasil e de Minas Gerais volte a crescer de forma sustentada a um ritmo um pouco maior, pensando aí em 2% ou 3% ao ano”, frisa ele.

No entanto, quando se trata das perspectivas e de quando deverão ocorrer essas melhorias, ainda não há dados concretos.

“Os primeiros números que estão chegando ainda são insuficientes. Apesar de a gente estar em setembro, nós só temos alguns poucos dados preliminares acerca do que aconteceu em julho. Então, não temos informação suficiente para conseguir identificar se essa desejada recuperação, de fato, se iniciou ou não”, diz.

Construção civil – Por outro lado, a construção civil apresentou desempenho positivo. No Estado, o segmento cresceu 2% na série dessazonalizada no segundo trimestre em relação ao trimestre imediatamente anterior e 2,6% quando comparado ao segundo trimestre de 2018. No Brasil, o incremento foi de 1,9% e 2%, respectivamente.

“É um setor muito intensivo em mão de obra e, portanto, gera muitos empregos”, frisa Filho. “Nós esperamos que esse movimento tenha continuidade porque a geração desses empregos pode ser muito importante para dar robustez a uma retomada do crescimento econômico no futuro”, destaca.

Outros números – Quando se trata das atividades do setor agropecuário, foi registrado um incremento de 5,9% no Estado no segundo trimestre deste ano em relação ao trimestre imediatamente anterior. No mesmo período no Brasil, o recuo foi de 0,4%.

Já na produção dos serviços, a variação negativa foi de -0,4% no Estado no segundo trimestre de 2019, enquanto o resultado nacional foi 0,3% em relação ao trimestre imediatamente anterior.

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