Parlamento romeno derruba governo social-democrata

BUCARESTE – O governo da Romênia, encabeçado pela primeira-ministra social-democrata Viorica Dancila, foi derrubado nesta quinta-feira ao perder um voto de confiança no Parlamento, abrindo caminho para negociações de uma nova coalizão a um mês de eleição presidencial na qual ela é uma das candidatas pelos sociais-democratas.

— A moção (de desconfiança) foi aprovada, o Parlamento retira sua confiança ao governo — anunciou o presidente da Câmara dos Deputados, Marcel Ciolacu, ao final da votação, na qual 238 dos 465 parlamentares se pronunciaram a favor da partida de Dancila, cinco a mais que a necessária maioria simples de 233 votos.

A derrota de Dancila deverá ter impacto direto na próxima eleição presidencial romena, cujo primeiro turno está marcado para 10 de novembro e tem como favorito o atual presidente de centro-direita Klaus Iohannis, que agora parece ter a reeleição assegurada e deverá consultar os diferentes partidos antes de nomear um novo primeiro-ministro nos próximos dez dias.

Analistas esperam que o novo governo seja formado em torno da atual principal legenda de oposição, o Partido Liberal, que liderou o voto de desconfiança desta quinta. O trabalho de formar um coalizão, no entanto, deverá enfrentar obstáculo, já que a oposição está muito fragmentada, com alguns partidos podendo preferir deflagrar eleições parlamentares antecipadas.

Esta, porém, não é um opção imediata, já que a legislação romena veta a realização de eleições parlamentares nos seis meses antes da presidencial. O próximo pleito legislativo regular da Romênia está marcado para o fim de 2020.

— Vou ouvir as opções dos partidos e propor uma solução de governo com o mandato claro de assegurar uma gestão responsável e eficiente até as próximas eleições parlamentares, quando quer que elas aconteçam — disse Iohannis.

No poder desde janeiro de 2018, Dancila enfrenta problemas desde a derrota nas eleições europeias de maio último, e sua posição ficou ainda mais debilitada após a saída da coalizão em seu apoio, em agosto, da agremiação centrista Alde. Desde então, a primeira-ministra dirigia um governo minoritário.

O novo governo romeno deverá ter muitos desafios pela frente, especialmente na área econômica. Sua primeira missão será montar o orçamento de 2020, tarefa complicada pela explosão dos gastos públicos nos últimos meses. Apesar das altas taxas de crescimento da economia romena dos últimos anos, o Fundo Monetário Internacional (FMI) alerta sobre o risco de que o déficit fiscal cresça insustentavelmente, e pediu a Bucareste que desista de dobrar o valor das aposentadorias e pensões até 2022, como prometeram os social-democratas.

Source: http://oglobo.globo.com/rss.xml?completo=true

Loading...