Otimismo e cautela marcam abertura de reunião do FMI e do Banco Mundial

US-WORLD-BANK-AND-IMF-CHIEFS-HOLD-BRIEFINGS-AT-WORLD-BANK-IMF-FAWASHINGTON — O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM) abriram nesta quinta-feira sua reunião de cúpula com a atenção voltada tanto para a recuperação global quanto para o alto endividamento das principais economias e o risco do protecionismo comercial. Diretora-gerente do Fundo, Christine Lagarde destacou que a entidade elevou em 0,1 ponto percentual sua previsão de crescimento global em 2016 e 2017, numa tímida porém clara tendência de recuperação após o eríodo posterior à crise financeira. O presidente do Banco Mundial (BM), Jim Yong Kim, por sua vez, assegurou sentir-se otimista sobre a possibilidade de um aumento de capital dessa entidade, apesar das resistência dos Estados Unidos.

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Christine ressaltou que não é um momento para festejos, já que a prioridade agora é “tornar esta recuperação estável” mediante a adoção de reformas estruturais, alertando ainda para os risco que devem ser levados em conta. Um deles é o que ela denominoui de “tentação do protecionismo”, que se tornou uma prioridade para o governo dos Estados Unidos desde a chegada de Donald Trump à Casa Branca, com impacto em todo o mundo. Para a diretora do FMI. a melhor resposta aos desafios apresentados pelo comércio internacional integrado é “não dar-lhes as costas”.

“Pelo contrário, é necessário fazer mais esforços para criar um comércio mundial que seja benéfico para todos”, acrescentou.

O FMI já havia alertado sobre os riscos de uma onda de protecionismo na economia mundial durante sua reunião anterior, em abril, mas o chamado agora adquiriu um caráter de urgência mais marcante.

DÚVIDA PREOCUPANTE

Outra preocupação é a crescente dúvida nas principais economias do mundo, representadas pelo G20, como consequência de váriso anos de taxas de juros extraordinariamente baicas que abriram a porta para uma intensa tomada de créditos. Em um cenário em que os mercados já indicam que esperam um endurecimento das condições monetárias os Estados Unidos e Europa, o elevado nível de endividamento acende as luzes de alerta.

Global FinanceFinalmente, Lagarde expressou sua convicção de que atual tendência de recuperação representa a oportunidade de iniciar as reformas internas em cada país para que o crescimento se torne sustentável.

Em seu mais recente “Panorama Econômico Mundial, divulgado na terça-feira, o FMI projetou um crescimento do PIB mundial de 3,6% este ano e de 3,7% para 2018, com um leve reajuste de 0,1 ponto percentual em ambos os casos sobre as previsões que havia publicado em julho. O órgão lembrou que trata-se de uma alta sensível em relação a 2016, quando a economia global fechou com alta de 3,2%.

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O economista-chefe do Fundo, Maurice Obstfeld, observou na terça-feira que, em grande parte, o otimismo que motivou a revisão para cima do crescimento mundial está apoiado “em perspectivas positivas das economias avançadas”, que, em geral, deverão crescer 2,2% este ano e 2%, no próximo.

KIM SEGUE OTIMISTA

No entanto, o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, procurou colocar em perspectiva o impacto do “verdadeiro bande de água fria” recebido indiretamente na última quarta-feira, quando o Tesouro dos Estados Unidos expressou suas reservas para autorizar um aumento de capital dessa entidade multilateral. Kim argumentou que um novo governo como o de Trump “leva empo para se organizar”, embora tenha comemorado o fato de a equipe americana fazer parte da discussão sobre o controvertido aumento de capital do banco.

“Sigo extremamente otimista”, disse Kim aos jornalistas ao abrir os trabalhos da reunião com o FMI, na capital americana.

Na sexta-feira, uma fonte do Tesouro Americano sugeriu à imprensa local que antes de se comprometer com um aumento de capital do banco, o governo americano queria ter mais detalhes sobre o destino dos recursos.

“Uma de nossas prioridades é que o FMI e o Banco Mundial se concentram numa utilização eficaz de seus recursos”, havia comentado o funcionário do Tesouro.

Kim, no entanto, evitou avivar a polêmica e apenas comentou que “um aumento de capital é uma decisão dos acionistas” do banco.

O Tesouro Americano, por sua vez, também enviou sinais de insatisfação com o elevado volume de empréstimos à China, alegando que a prioridade deveria ser emprestar dinheiro “aos países que verdadeiramente estão necessitando”. Neste sentido, Kim defendeu os empréstimos do gigante asiático:

“As lições que aprendemos ao trabalhar com a China são muito úteis para aqueles países com renda menos fortes”.

N ano fiscal 2016-2017, finalizado em junho, os empréstimos do Banco Mundial à China alcançaram US$ 58,8 bilhões, sendo que, no ano anterior, foram de US$ 61,3 bilhões.

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