Musical 'Elza' volta ao Rio, e tem Larissa Luz como destaque

São praticamente seis meses ininterruptos sob a pele de Elza Soares. Se depender de Larissa Luz — a atriz que mais se destaca no elenco do musical “Elza” —, enquanto houver público, o espetáculo seguirá em cartaz. “Tem que ser assim, não é?”, ela justifica, com uma risada simpática. Nesta sexta-feira, depois de passagens elogiadas por São Paulo, Belo Horizonte e Salvador, a peça escrita por Vinícius Calderoni e dirigida por Duda Maia retorna aos palcos do Teatro Riachuelo, no Centro do Rio, no mesmo endereço onde iniciou temporada em julho. Mas outros destinos já se colocam à vista: ainda no primeiro semestre de 2019, a montagem aportará em Natal e no Recife. Há mesmo o que celebrar. 77932320_RS Rio de Janeiro 13-07-2018 - Ensaios da peca teatral Elza em homenagem a cantora Elza.jpg

— Para dizer a verdade, a ficha só está caindo agora. Como a produção propõe uma linguagem diferente do que normalmente se vê, fiquei muito insegura com a recepção do público. Demorei a entender a repercussão e o fato de tanta gente se sentir atravessada pelo musical — admite Larissa. Programação cultural no Rio de Janeiro – RJ

O papel principal é dividido com outras sete artistas — Janamô, Júlia Tizumba, Késia Estácio, Khrystal, Laís Lacorte e Verônica Bonfim. Em cena, o grupo desenha momentos importantes na trajetória de Elza Soares, num percurso não-cronólogico que abrange percalços como a infância humilde, o casamento forçado, a violência doméstica e a morte de um filho.

Apesar de a dramaturgia se sustentar na força coletiva, é mesmo Larissa quem mais aparece sobre os tabalados — e quem mais impressiona na perfeita emulação vocal com a figura retratada, como ressaltado em crítica. 77975752_RS Rio de Janeiro 13-07-2018 - Ensaios da peca teatral Elza em homenagem a cantora Elza Soa (1).jpg

Cantora e compositora há mais de dez anos — o segundo álbum da artista, “Território conquistado” (2016), foi indicado ao Grammy Latino —, a baiana de 31 anos vê a própria carreira profissional dar uma guinada. Culpa de “Elza”, ela reconhece. Enquanto finaliza um novo disco, já recebe propostas para trabalhos na televisão. Uma novidade.

— “Elza” veio para confirmar que sim, sou atriz e posso explorar isso tanto no teatro quanto na TV e no cinema. Estou assumindo esse lado, e quero levar adiante essa história. Meu desejo é aprender cada vez mais para me aperfeiçoar e entrar nesse meio — afirma ela, que tem feito testes para um papel numa das próximas novelas da TV Globo (o nome da produção ainda não pode ser revelado). Leia mais – Elza Soares

Quando perguntada se teme as associações recorrentes de sua imagem à de Elza Soares, Larissa responde prontamente que, sim, “pensa muito nisso”. Mas está tranquila, pondera. Ao fim de todas as sessões da peça, ela recebe grupos de espectadores emocionados para conversas, abraços e palavras de elogio.

— Todos se sentem à vontade para essa troca. Às vezes, a interação acontece durante o espetáculo, como numa vez em que foram gritando nomes de mulheres conhecidas num determinado trecho do musical. Acho massa essa queda de barreira entre a plateia e o palco. Ao mesmo tempo, sinto que as pessoas sabem diferenciar minha carreira e minha personalidade do meu trabalho como Elza Soares. Tenho receio em ficar marcada por uma personagem, é claro, mas, como já cultivo uma carreira há algum tempo, faço com que isso não seja uma questão — explica. 78839851_ANCELMO GOIS - Larissa Luz..jpg

Até o momento, o ofício no teatro se desdobra em caminhos improváveis. No carnaval de 2019, Larissa Luz estreia na Marquês de Sapucaí como uma das intérpretes da escola de samba São Clemente. O convite partiu de dirigentes da própria agremiação, que ficaram impactados com o desempenho da artista no teatro. Ela não pensou duas vezes antes de aceitar a sugestão. Culpa de “Elza”, novamente reconhece:

— Achei a ideia massa, pois nunca vi mulheres nesse lugar. É um meio super masculino, e considero importante ocupar esse posto. Pensei muito em depoimentos da própria Elza falando sobre a dificuldade que enfrentou ao entrar em ambientes masculinos. Havia um gancho para explorar esse universo.

Teatro Riachuelo Rio: Rua do Passeio 38/40, Centro — 2533-8799. Qui e dom, às
19h. Sex e sáb, às 20h. Qui e dom: R$ 40 (balcão superior), R$ 80 (plateia e
balcão nobre) e R$ 100 (plateia vip). Sex: R$ 50 (balcão superior) e R$ 100
(plateia e balcão nobre) e R$ 130 (plateia vip). Sáb: R$ 50 (balcão superior) e
R$ 120 (plateia e balcão nobre) e R$ 150 (plateia vip). Não recomendado para
menores de 14 anos. 120 minutos. Até 23 de dezembro.

Source: http://oglobo.globo.com/rss.xml?completo=true

Loading...