MP marca depoimentos em caso de ‘laranjas’ que envolve ministro do Turismo

O Ministério Público de Minas Gerais expediu, nesta segunda-feira 18, intimações para ouvir 20 pessoas em inquérito que investiga a suposta utilização de candidaturas “laranjas” no Estado durante as eleições de 2018. O caso envolve quatro mulheres que concorreram a cargos no Legislativo pelo PSL, que na época tinha seu gabinete mineiro presidido pelo hoje ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio.

Os depoimentos serão prestados a partir desta semana. Em contato com o jornal O Estado de S. Paulo, o promotor eleitoral Fernando Abreu, responsável pelo caso, declarou que o inquérito pode evoluir para uma investigação sobre a ocorrência do crime de lavagem de dinheiro. 

“A primeira coisa a fazer é certificar a existência dos candidatos laranja. Se essas pessoas receberam ou não os recursos e se gastaram em suas campanhas, se houve apropriação indébita de recursos públicos e falsidade ideológica. Depois, pode ser que se evolua para lavagem de dinheiro”, disse o promotor. Entre os intimados, estão candidatos, empresários e possíveis colaboradores de Marcelo Álvaro durante a campanha – só depois será definido se o ministro também prestará depoimento”, disse.

O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, é acusado de patrocinar um esquema de candidaturas “laranjas” em Minas Gerais, após denúncias reveladas pelo jornal Folha de S. Paulo. Ele teria utilizado quatro candidaturas de mulheres para direcionar verbas públicas de campanha para empresas ligadas a seus assessores. O parlamentar foi o deputado federal mais votado em 2018 no estado, onde presidia a legenda.

Apesar de figurarem entre os 20 candidatos do PSL que mais receberam dinheiro público na campanha, as quatro mulheres tiveram menos de 2.000 votos (somando-se todas as candidaturas), em um indicativo de pouco empenho na busca de eleitores. Segundo o jornal, dos 279 mil reais repassados, ao menos 85 mil reais foram depois destinados a contas de quatro empresas pertencentes a assessores, parentes ou sócios de assessores do ministro de Jair Bolsonaro.

O ministro Marcelo Álvaro Antônio afirmou, por meio da assessoria, que “a distribuição do fundo partidário do PSL de Minas Gerais cumpriu rigorosamente o que determina a lei” e que “refuta veementemente a suposição com base em premissas falsas de que houve simulação de campanha com laranjas no partido.”

Outros casos de supostas “candidaturas de fachada” do PSL foram registradas também em Pernambuco, com suspeita de envolvimento do hoje presidente nacional do PSL, Luciano Bivar, e do presidente interino durante as eleições, Gustavo Bebianno. A situação foi uma das motivações para exoneração de Bebianno do cargo de ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, anunciada nesta segunda-feira 18.


Source: http://feeds.feedburner.com/noticiasveja?format=xml

Loading...