Maratona 'Nasce uma estrela': G1 assiste aos 4 filmes e constata que o da Lady Gaga é o melhor


Veja infográficos, trailers e listas que explicam as diferenças e semelhanças de cada uma das histórias. Versão de 2018 tem 9 indicações ao Oscar. Texto tem alguns spoilers. Os casais das quatro versões de ‘Nasce uma estrela’: de 1937, 1954, 1976 e 2018
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“Nasce uma estrela” tem nove chances de ganhar o Oscar neste domingo (24) e pode dar a primeira estatueta para Lady Gaga na premiação. Para entender a força desta história já contada quatro vezes no cinema, o G1 resolveu fazer uma maratona.
O desafio de ver 510 minutos de tapas, beijos, atuações e canções mostrou que os filmes têm casais bem diferentes. Mas, claro, os quatro “Nasce uma estrela” têm algo em comum: são baseados em uma ideia dos roteiristas William A. Wellman e Robert Carson.
Até agora, a trama rendeu dois prêmios no Oscar: canção original para Barbara Streisand em 1977 e melhor fotografia em 1938. É provável que o “Nasce uma estrela” estrelado por Gaga e Bradley Cooper, também diretor do filme, vá além disso. Até porque é o melhor deles.
Quatro filmes, uma história
Uma aspirante a atriz (1937 e 1954) ou cantora (1976 e 2018) vira aposta amorosa e artística de um cara mais velho, com carreira já estabelecida. Eles se envolvem, com direito ao bordão “Hey, só queria dar mais uma olhada em você”, repetido nos quatro filmes.
Ela é muito mais talentosa do que ele e aceita mudar um pouco visual e estilo para fazer sucesso. Ele fica em decadência, ela estoura. Há uma premiação em que ele paga mico. E no fim… Bem, para saber os quatro finais quase idênticos veja o fim do texto.
1937: A atriz apagadinha e o galã alcoólatra
‘Nasce uma estrela’ de 1937
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O que tem de diferente? É o mais engraçadinho, com humor pastelão (dancinhas, pancadas na cabeça, caras e bocas). Até a vó da moça zoa: “Quando era mais nova, era mais bonita do que você”. Tem a única das mocinhas que bebe um pouco mais: curte rum com leite.
Por que ele é mala? “Os produtores não gostam dele, os críticos e os fãs também não, nem eu gosto”, resume um assistente. É o menos carismático. Curtia uísque e soda, mas muda para “refrigerante com… refrigerante”. No começo, manda ela se calar, e faz um “shhhhhhhh” durante um concerto. Depois, no segundo encontro, joga no chão dois pratos que ela está guardando.
Veja o trailer de ‘Nasce uma estrela’ de 1937
Qual o maior mico dele? Quando ela vence o Oscar de Melhor Atriz, ele interrompe o discurso: “Quero um prêmio de pior ator”. Sem querer, bate na cara dela. Após ser internado, ela pede a um produtor que dê uma nova chance a ele. Mas o galã recusa um papel menor: estaria analisando outros papéis, de outros estúdios e da Inglaterra.
Momento ‘nada a ver’: É o o único em que a frase “Nasce uma estrela” é dita, mesmo com o talento da mulher sendo quase ignorado pelo roteiro. São raras as chances de ela brilhar.
1954: A artista completa e o guru de autoajuda
‘Nasce uma estrela’ de 1954
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O que tem de diferente? É o filme que mais destaca os dotes da protagonista. Judy Garland (1922-1969) canta e dança adoidado. E sofre demais: faz vários discursos sobre se sentir culpada pelo alcoolismo dele. É ainda o filme no qual a diferença de idade parece ser a maior (embora nunca revelada) e o único com pausa entre os primeiros encontros e o início da parceria.
Por que ele é mala? Suas falas tem um quê de autoajuda, como “você vai ser uma grande estrela, não mude com isso”. Nenhum outro mocinho fala tão mal de sua própria performance como este Norman. Mas mesmo assim, o desfecho da carreira é igual ao do filme anterior: nega convite para ser coadjuvante e vira “assistente” da mulher.
Veja o trailer do ‘Nasce uma estrela’ de 1954
Como é o maior mico dele? No Oscar, ela ganha como Melhor Atriz. Repete o discurso do filme anterior. Ele interrompe bêbado e anda até o palco. Fala groselha e grita quatro vezes: “Eu preciso de emprego”. Trôpego, dá um tapa nela sem querer ao abrir o braço.
Momento ‘nada a ver’: Em sequência surreal, ela dança e canta para ele interagindo com os objetos da casa. Ela coloca o topo de um abajur na cabeça imitando uma mulher chinesa. Depois, berra “África!!!”. Então, finge ser uma onça ao som de gritos tribais. Tem também uma parte Brasil. Ela tempera a salada sambando.
1976: A durona autêntica e o bad boy sem noção
‘Nasce uma estrela’ de 1976
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O que tem de diferente? É o único em que a mocinha não muda tanto seu visual ou estilo após insistência de empresário. “Por que mudaria de nome? Eu teria até que fazer uma nova carteira de motorista, né?”, explica. Diferentemente dos outros filmes, neste é ela quem pede o rapaz em casamento. É também o único com traição: o cantor é pego pelado na cama com uma repórter da “Rolling Stone”. Ela queria “dormir com ele” em troca de uma entrevista com a esposa.
Por que ele é mala? Ele é o mais bad boy de todos. É o único que dá cantadas baratas e elogia duas vezes a “bundinha linda” de sua pretendente vivida por Barbra Streisand. O ritual antes de shows e gravações é dar duas fungadas de cocaína e um gole de uísque. O vocal de John Norman Howard (Kris Kristofferson) faz a voz do Eddie Vedder parecer a do Mickey Mouse. Ele ajuda Esther no começo da carreira, mas depois desdenha do sucesso dela: é o mais irônico.
Veja o trailer de ‘Nasce uma estrela’ de 1976
Momento ‘nada a ver’: Norman esquece letras, xinga a plateia, limpa o rosto com vodka, dá pirueta com moto, derruba equipamento, joga caixa de uísque em locutor de rádio, pula na piscina com muletas, espalha latas de cerveja pela casa, picha a parede da própria sala… A lista de excentricidades vai longe.
Qual o maior mico dele? No Grammy, ela vence como Melhor Performance de Cantora. No meio do discurso, ele chega bêbado. Ela agradece a ele, mas ele a interrompe: “Cadê meu Grammy de pior performance? Quero ele!” Na saída do barraco, dá um soco no locutor da rádio que faz uma pergunta provocativa.
2018: A popstar tranquila e o crianção atormentado
‘Nasce uma estrela’ em 2018
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O que tem de diferente? É a história com maior presença de familiares do casal: o irmão dele (empresário pulso firme) e o pai dela (ex-alcoólatra e ex-cantor, e agora motorista). Também tem o protagonista menos arrogante e mais boa praça eu “crianção” dos quatro.
Por que ele é mala? Jackson Maine é calmo, resignado e sofre apagões após porres de gim e remédios. Além da dependência química, é o único diagnosticado com uma doença que não seja mental: tem tinnitus. É tão imaturo que o maior xingamento dito por ele é um boçal “você é feia”. Quando fica com ciúme, amassa um bolo na cara dela.
Lady Gaga e Bradley Cooper estrelam trailer de ‘Nasce uma estrela’
Momento ‘nada a ver’: Durante uma madrugada em um estacionamento do mercado, ela canta uma versão inacabada de “Shallow” para ele. Em um show dele na noite seguinte, magicamente a música já está com arranjo pronto! Ele a chama ao palco para cantarem e começa a entoar a canção contra a vontade dela. “Se você não quiser a música, eu que-ro.” Ela entra e canta da segunda parte em diante.
Qual o maior mico dele? Ele participa de um tributo a Roy Orbison no Grammy. O papel dele é secundário: só toca guitarra. Ele deixa a paleta cair, mas toca até que bem, embora chapado. Ela vence como Artista Revelação. Ele sobe no palco, balbucia palavras desconexas e faz xixi nas calças. Pela primeira vez, a rotina em uma casa de reabilitação é mostrada.
Spoiler: como são os finais dos filmes?
Cartazes de nasce uma estrela de 1976 e 2018
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Cartazes de ‘Nasce uma estrela’ de 1936 e 1954
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Em todos os filmes, os mocinhos se matam:
Nos dois primeiros, ele pede que a esposa prepare uma sopa, sai para fazer exercício, mas na verdade resolve caminhar em direção ao mar
No filme de 1976, ele dirige seu carro cada vez mais rápido e capota sozinho
No filme de 2018, ele se enforca em sua garagem com um cinto
1937
Fingindo dormir, ele ouve a esposa dizendo que vai desistir da carreira para cuidar dele. Ela chora ao olhar sua estatueta do Oscar. Após a morte por afogamento, um produtor caçoa do fato do ator ser alcoólatra: “Foi o primeiro gole de água que ele deu em 20 anos”. “Como faço pra agradecer o oceano Pacífico?”, completa rindo com um garçom. “Tudo bem, ele não era grande coisa”, diz uma fã à viúva no funeral. “Olá todos, eu sou a Senhora Norman Maine”, diz Esther no final.
1954
“Não consigo mais fazer filmes, vou parar pelo Norman. Sem ele, o que tenho não é nada”, diz Esther. Um produtor responde que beber por 20 anos “muda um homem”. “Não são só filmes ruins que o destruíram, é mais que isso.” Norman ouve tudo escondido e chora. Nos jornais, a morte por afogamento é tratada como “acidente”. No funeral, não há o sarcasmo do filme anterior: fãs e jornalistas lamentam. Ela grita, chora, canta e é aplaudida.”Eu sou a senhora Norman Maine.”
1976
A banda e o empresário o abandonam e ele decide virar artista independente. Bêbado, começa a quebrar a casa. Ela cospe na cara dele e xinga: “Do que você está correndo agora, seu covarde?” Ele diz “eu te amo” várias vezes e ela responde com “eu te odeio”. Há uma reconciliação. Ele dirige perigosamente ouvindo o maior sucesso dele e depois o maior dela. Ela faz uma performante em tributo a ele e a plateia acende isqueiros. É o único show final mais festivo do que dramático.
2018
Ela quer uma turnê conjunta, mas o empresário dela nega: e vai até o cantor para falar que é só questão de tempo até que ele volte a beber e estrague a vida da cantora. Ela muda planos da carreira para ficar mais perto dele. Ele se mata enquanto ela está em um show. Na homenagem, após cantar música escrita por ele, ela diz: “Eu sou Allie Maine”. Ela chora e todos aplaudem.
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