Manifesto sobre ataques a mesquitas na Nova Zelândia elogia Trump

O manifesto publicado em um fórum da internet por uma conta que os investigadores dos atentados nas mesquitas de Christchurch, na Nova Zelândia, acreditam pertencer a um dos atiradores exaltava sua ideologia anti-imigração e elogiava o presidente americano, Donald Trump, como “um símbolo de uma identidade branca renovada.”

O homem, que teria nascido na Austrália, matou pelo menos 49 pessoas em um massacre contra fiéis muçulmanos nesta sexta-feira, 15. No documento de 87 páginas, publicado em uma plataforma virtual na chamada dark web, ele menciona o supremacista norueguês Anders Breivik,  terrorista de extrema-direita que há 8 anos assassinou 77 pessoas após explodir um carro-bomba em Oslo e atirar em pessoas acampadas em uma ilha perto da capital da Noruega.

O texto sustenta que o atirador das mesquitas teve um “breve contato” com o criminoso europeu, ocasião em que teria recebido a “benção” de Breivik, preso e condenado a 21 anos de reclusão por seus crimes.

Sob o nome de Brenton Tarrant, o homem de 28 anos publicou o manifesto intitulado “A Grande Substituição”, no qual escreveu um discurso inflamado sobre o “genocídio branco” e listou os diversos objetivos de seu ataque, incluindo a criação de “uma atmosfera de medo” contra os islâmicos. O dossiê ainda culpa a imigração de muçulmanos pela “decadência” da cultura da Europa Ocidental.

No documento, ele não se identifica como australiano, preferindo exaltar mais genericamente suas “raízes brancas”. “As origens de minha língua são europeias, minha cultura é europeia, minhas crenças políticas são europeias, minhas crenças filosóficas são europeias, minha identidade é europeia e, mais importante, meu sangue é europeu”, escreveu o atirador.

Ele ainda detalhou seu histórico familiar, destacando que não foi motivado por nenhum grande trauma em sua vida pregressa e sim por um propósito de “defender” o Ocidente de uma suposta ameaça islâmica. “Sou apenas um homem branco comum, de uma família comum, que decidiu tomar uma atitude para garantir o futuro do meu povo”, diz o texto, “meus pais são descendentes de escoceses, irlandeses e ingleses. Eu tive uma infância normal, sem grandes problemas.”

Tarrant ainda se descreveu como um fascista etnonacionalista e afirmou que não busca fama com o atentado, já que é seria “pessoa discreta e introvertida.” Segundo ele, o ataque foi planejado por dois anos e, apesar de não ter sido sua primeira opção, Christchurch — terceira maior cidade da Nova Zelândia — foi o cenário escolhido com três meses de antecedência.

“Eu cheguei na Nova Zelândia apenas para viver temporariamente enquanto eu planejava e treinava mas logo descobri que o país era um alvo tão adequado quanto qualquer outro lugar no ocidente”, justificou o atirador.

O suspeito queria enviar a mensagem de “que nenhum lugar no mundo é seguro”, de acordo com o documento, e a escolha pelas armas de fogo foi pensada para dar mais publicidade ao ataque, já que o número de vítimas atingidas seria mais alto.

“Escolhi armas de fogo pelo efeito que isso teria no diálogo social, por mais cobertura midiática e pelo efeito que isso pode ter nas políticas dos Estados Unidos e, desta forma, na situação política de todo mundo.”

O ataque

Fiéis de duas mesquitas foram alvejados por tiros na terceira maior cidade da Nova Zelândia nesta sexta-feira, 15. 49 pessoas morreram até o momento. 40 delas estavam na mesquita Al Noor Mosque e as outras nove foram mortas no templo de Linwood, no subúrbio de Christchurch. Os muçulmanos estavam reunidos para as orações de sexta-feira, o dia sagrado da semana segundo o calendário do Islã.

A primeira-ministra neozelandesa, Jacinda Ardern, descreveu os tiroteios como “ataques terroristas bem planejados” e lamentou “um dos dias mais sombrios” da história do país. A polícia local não informou se Tarrant é um dos presos sob sua custódia. Outras três pessoas foram detidas pouco depois dos ataques, na tarde desta sexta no horário local, por suspeita de conexão com o caso.

O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, disse que foi informado sobre a prisão de um cidadão do país e descreveu o “manifesto” como um “trabalho de ódio.”


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