Jornalista polonês detido na Venezuela acusa a polícia de agredi-lo

VENEZUELA – O jornalista polonês Tomasz Surdel, que havia sido detido na Venezuela na noite de quinta-feira, afirma ter sido agredido por membros da Força de Ação Especial da Polícia Nacional Bolivariana (Faes). De acordo com o Sindicato Nacional de Jornalistas, Tomasz Surdel disse que recebeu golpes no rosto e nas costelas. A foto divulgada pelo sindicato mostra o jornalista com o rosto ferido.

Surdel afirma ter sido ameaçado com uma arma que não disparou porque estava descarregada. Ele contou ainda que os policiais colocaram um saco em sua cabeça.

O jornalista está na Venezuela há dois meses e cobre a crise política no país. Ele estava em Bello Monte, no município de Baruta, quando foi detido sem ordem judicial pelos policiais da Faes, unidade de eleite que já foi alvo de acusação de abusos. Depois das agressões, Surde foi deixado em uma rua da cidade.

— Bateram em mim com algo duro, principalmente no rosto. Também me golpearam nas costas. Quando terminaram, tiraram o saco da minha cabeça e vi o cano da arma entre os meus olhos — contou o correspondente do jornal Gazeta Wyborcza ao site Efecto Cocuyo.

No Twitter, o jornalista escreveu: “Obrigado a todos pelo seu interesse e palavras gentis. Mesmo aqueles que escreveram aqui… Não vou parar de escrever sobre #Venezuela.”

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Situações que ameaçam ou dificultam o trabalho da imprensa no país têm sido recorrentes, como prisões e agressões a jornalistas. Nesta terça-feira, o jornalista e ativista venezuelano Luis Carlos Díaz foi solto depois de ter sido detido por autoridades da Venezuela. O funcionário da emissora Unión Radio Noticias será denunciado na Justiça por “instigação ao crime”, depois de ter sido acusado por Diosdado Cabello, próximo ao presidente Nicolás Maduro, de envolvimento no apagão que atinge o país há vários dias.

Severo crítico do governo Maduro e reconhecido pela sua forte atuação nas redes sociais, Díaz foi preso no fim da tarde de segunda-feira. Na madrugada de terça, foi levado por membros do Sebin para uma operação de busca em sua casa, que durou cerca de duas horas.

Agentes confiscaram computadores, disco rígido e celulares. Segundo o Programa Venezuelano de Educação-Ação em Direitos Humanos (Provea), que esteve presente na operação, o jornalista relatou ter sofrido agressões. A ONG também disse que os policiais apreenderam dinheiro em espécie, o que não consta no relatório da operação.

Duas semanas atrás, as duas maiores redes hispânicas nos Estados Unidos, Univision e Telemundo, denunciaram “detenção” e “sequestro” de seus funcionários Jorge Ramos e Daniel Garrido, respectivamente, durante o exercício da profissão em Caracas.

A ONG Espacio Público, que defende a liberdade de expressão, registrou cerca de 50 prisões de trabalhadores da imprensa na Venezuela em 2019, incluindo 27 em fevereiro e 12 em janeiro.

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