Frota defende reeleição de Maia e diz que pode não apoiar Doria em 2022

Se depender de Alexandre Frota, Rodrigo Maia será reeleito presidente da Câmara.

Em entrevista à coluna, Frota disse que, se preciso, trabalhará por Maia, a quem rasgou elogios e disse ter se tornado próximo.

Há três meses no PSDB, Frota não se compromete a apoiar Bruno Covas para a Prefeitura de São Paulo, na eleição do ano que vem, nem João Doria para a Presidência, em 2022.

Sobre o atual governador paulista, o deputado federal afirmou que ele “anda sumido”, que desconhece seus planos e que Doria não cumpriu a promessa de levá-lo para uma conversa com Fernando Henrique Cardoso.

Leia a entrevista:

Como avalia a frase de Paulo Guedes sobre o AI -5?

Paulo Guedes foi infeliz, (a frase) foi desnecessária. O Eduardo já havia mencionado isso. Em 1999, Jair também mencionou isso. Uma infelicidade. Paulo Guedes, muitas vezes, pensou em abandonar tudo nesse governo. Convivi muito com ele na época que fui coordenador da comissão especial da Previdência. Várias vezes, tive de reconstruir o relacionamento dele com o Rodrigo Maia. Trabalhei incansavelmente na comissão especial, com a equipe dele. Foi graças a mim que ele não foi mais hostilizado pela esquerda. É um momento infeliz dele por ter falado sobre isso, mas o pior não é ele falar. O pior é quando ele fala e Bolsonaro apoia.

Durante a campanha, a família Bolsonaro alguma vez falou em propor um AI-5?

Não, durante a campanha nunca se falou sobre isso. Muito pelo contrário. Durante a campanha, ele (Jair Bolsonaro) era completamente diferente do que se apresenta hoje. Não era autoritário, reacionário, ideológico. Dizia que iria governar para todos. Sabe mentir muito bem.

O senhor se tornou aliado de Maia neste ano. Há deputados que defendem mudança na lei para que ele possa ser reeleito presidente da Câmara. Qual sua visão sobre isso?

Me tornei aliado do Maia, fizemos um ótimo trabalho nas duas comissões das quais fui coordenador. Se ele tiver que ser reeleito, ele sabe que vai contar com o meu voto. Foi o grande responsável para eu ir para o PSDB e foi a primeira pessoa que comuniquei quando fui expulso do PSL. Rodrigo me orientou na questão da expulsão, foi a pessoa que me deu segurança para que, se não fosse para o PSDB, poderia estar no DEM hoje, com toda a certeza. Se ele tiver que ser reeleito, vou trabalhar para isso.

O que Jair Bolsonaro está fazendo que não havia prometido?

Ele prometeu governar para todos e não ser ideológico. E o maior exemplo: ele falou que iria acabar com a farra na cultura e que faria uma reforma na Lei Rouanet. Não fez uma reforma na Lei Rouanet, fez uma maquiagem na lei. A cultura está um desastre. Não fez investimento nenhum do qual havia prometido, não puniu as pessoas que, no passado, usufruíram e abusaram da Lei Rouanet. Deixou a cultura extremamente entregue, estrangulada. Osmar Terra é um ministro que não deu certo. Henrique Pires, que ele colocou como secretário, não deu certo. Veio o Ricardo Braga, não deu certo. Agora botou o Roberto Alvim, um cara que agrediu Fernanda Montenegro e que tem falado para um público específico, passando por cima de tudo e de todos na cultura.

João Doria venceria Bolsonaro?

Se Doria trabalhar para o Brasil como está trabalhando em São Paulo, se ele se aproximar do povo brasileiro, fizer desse novo PSDB um PSDB moderno, digital, jovem, que não fique no muro, que se posicione. Acho Doria um grande gestor, tem mostrado isso no governo dele e tem tudo que Bolsonaro não tem: educação, conhecimento, estudo, dignidade, sabe trabalhar, olha para o futuro e sabe comandar. Doria realmente é muito a cara de São Paulo, mas pode mudar esse quadro. Bolsonaro se tornou a cara do autoritarismo, do fascismo, da burrice, da velha política. Bolsonaro é ilusionista, mentiroso, trabalha para o maior charlatão do Brasil Olavo de Carvalho, que nem pode vir ao Brasil. Bolsonaro tem um governo ideológico, só governa para amigos e familiares. Assumo que foi um erro pedir voto e votar nessa figura.

Doria será seu candidato?

Ainda não pensei nisso. João nunca me falou que será candidato a presidente, está tudo indefinido. Não falo com ele há muito tempo, não sei o que pretende, ele anda muito ocupado e sumido. Mas ele precisa falar com no povo primeiro. Gosto muito dele, mas sinceramente não sei de nada. Vou ver o que o partido vai decidir.

Qual sua visão sobre a administração de Bruno Covas?

Quem tem que avaliar a administração do Bruno é ele e o povo. Estou dedicado a Brasília.

Joice Hasselmann e Covas juntos na mesma chapa?

Não acredito que aconteça.

Por quê?

Porque, sem Eduardo Bolsonaro no PSL, Joice será a rainha.

Pensa que ela deve se candidatar à prefeitura de São Paulo?

Sim, e acho que ela tem grandes chances. Ainda mais agora sem Bolsonaro pesando.

E Covas?

Bruno é o candidato do PSDB e do Doria. Vamos aguardar se realmente estará liberado para concorrer. Ainda não pediu meu apoio.

Mas você terá que apoiá-lo para prefeito. Fará campanha para ele?

Olha, ninguém me pediu apoio ainda. Com essa minha guerra com Bolsonaro e essa história de pornô, acho que eles querem é distância de mim. E tem mais: vou apoiar quem eu achar que tenho que apoiar. Assim como no PSL, no PSDB não tenho um diretório, não tenho cargos, não foi dado a mim direito nem de dirigir o PSDB da minha cidade, só para ter uma ideia.

O novo líder do PSDB na Câmara deverá ser escolhido. Vai se candidatar?

Não, gosto de ser o vice-líder. A Câmara já traz problemas demais, quero viver melhor. O deputado Celso (Sabino) me procurou, conversou longamente comigo sobre ele ser o líder. Gosto muito dele. Celso é mais da ala do Aécio, meu amigo há 25 anos e que reencontrei agora na Câmara.

O senhor fala em renovação do PSDB. Aécio Neves deve ser expulso?

A expulsão do Aécio é um problema do partido. Ele tem todo direito à defesa e de estar no PSDB. Aécio teve 45 milhões de votos, já foi líder do PSDB, foi presidente da Câmara e do PSDB. Aécio tem uma história no PSDB. Não vou opinar sobre não participei desse momento do PSDB. Entrei bem depois.

Qual será seu futuro no PSDB?

Não sei, não faço planos. Nessa campanha para prefeito, vou trabalhar pelo PSDB. Tenho conversado muito com Marcos Vignoli, presidente estadual, gosto muito dele e estamos trabalhando em algumas frentes.

Fernando Henrique já lhe procurou? Conseguiu falar com ele?

Ainda não, e acho que esse encontro nem deve acontecer. Ele já declarou que não sou bem vindo no PSDB, dificilmente voltará atrás. Doria havia me prometido um jantar com FHC, mas nunca aconteceu. Aécio também prometeu aproximação, mas ficou na promessa.

Como define o PSDB hoje? Como um partido de direita, centro ou esquerda?

Um partido de centro esquerda que está se posicionando para a direita menos radical. O “Novo PSDB” está caminhando, mas não podemos esquecer os 30 anos de tudo o que esse partido fez pelo Brasil, coisas boas e coisas não boas. Mas é assim. Todos os partidos têm problemas. Gosto muito do Bruno Araújo, presidente nacional que comprou meu barulho junto à ala mais conservadora do partido. O partido precisa se reencontrar e se posicionar. Sei exatamente meu papel dentro do partido.

E a chegada de Gustavo Bebianno ao PSDB?

João Doria tem perdido algumas batalhas internas, a exemplo da consulta para mudar o nome do partido, ou ainda a tentativa de suspender ou expulsar condenados. Doria tem muitas batalhas pela frente, internas e externas. Espero que a chegada do Bebianno não mude as coisas. Tem um caminho longo pela frente. Bebianno é centralizador. A chegada de Bebianno blindou Jair Bolsonaro de tal forma que muitos inimigos apareceram. Jair na época se afastou de tudo e de todos. A dupla (Gustavo) Bebianno e Julian (Lemos, deputado do partido) trabalharam muito pelo Jair, mas antes deles já tinha muita gente. Eu, por exemplo, vi Bebianno chegar, convivi com ele e vi ser exonerado como um cachorro pelo Bolsonaro. Espero que, com a chegada de Bebianno, Doria não entre nessa de blindagem. Será o tiro no pé. Já vou avisando desde já.

Se não conseguir, qual será o futuro do partido?

Como no PSL, eu no PSDB não falo sobre futuro. Vou vivendo um ano de cada vez.

Como avalia as críticas feitas ao STF? São justas ou são jogo político?

O STF é o nosso Supremo Tribunal, jamais os bolsonaristas poderiam ter feito o que fizeram: pedir impeachment do Gilmar (Mendes). Isso foi feito no mundo virtual pela gangue do Olavo. Bolsonaro tirou o time nessa porque (Dias) Toffoli na ocasião tinha feito um grande favor, livrar a cara do Flávio (Bolsonaro) e de outros condenados na Lava Jato e corruptos. Flávio era contra o foro privilegiado, mas foi a primeira coisa que usou quando o bicho pegou. Acho também que muitas vezes o Supremo atropela em alguns temas. Eu estive reunido com Alexandre de Moraes. Me pareceu um cara correto e coeso. Fui eu, Maia e Alcolumbre pedir a ele a liberação de R$ 2 bilhões da Lava Jato e da Petrobras para estados e municípios.

Acha que ainda é visto como um ex-ator pornô pelos outros deputados?

Sim, eu fui, mas isso não me incomoda. Foi um trabalho, não fiz nada de errado, não fui corrupto, não corri com dinheiro na cueca, não fui acusado de pegar dinheiro no BNDES, não roubei o povo brasileiro. Às vezes, parece que ninguém nunca viu um p… e uma b…. Ultimamente quem mais tem me chamado de ator pornô é o Eduardo Bolsonaro, como falei. Parece que se tornou fã do seguimento. Acho tudo um falso moralismo. Preconceitos. Onde errei? Trabalhei, paguei impostos e ajudei muita gente. Não vou apagar esse passado tenho que viver o presente. Quem não quiser não assiste. Até a secretária do Olavo me pediu três vídeos.

Como?

Olavo pediu uns vídeos e eu mandei.

Em algum momento, durante sua aproximação com a família Bolsonaro, eles o criticaram pelo senhor ter feito pornô?

Não que eu saiba, muito pelo contrário. Na campanha, ele gravou um vídeo me convidando para o PSL e dizia que só uma pessoa muito preconceituosa não seria aceita por causa dessa bobagem. Mas hoje ele fala ao contrário. Ele se incomoda com isso não sei por quê.

(Por Guilherme Amado e Naomi Matsui)

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