EXPOSIBRAM | Minas pode se tornar polo de produção de titânio

Minas Gerais já é reconhecido como um player importante no cenário global de “materiais portadores do futuro”, os chamados novos minerais, incluindo o grupo de 17 elementos que compõem as terras-raras. Entre eles, destaca-se no Estado o titânio, ainda não explorado, e que tem grande potencial de mercado. A Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) já está desenvolvendo projetos para transformar essa riqueza mineral em área de negócio.

A informação é do diretor de Mineração, Energia e Infraestrutura da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), Renato de Souza Costa, que ontem participou do painel sobre “Novos materiais: desafios e oportunidades para a indústria mineral brasileira”, promovido durante a Expo & Congresso Brasileiro de Mineração (Exposibram), evento que o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) realiza até hoje, no Expominas, região Oeste de Belo Horizonte.

De acordo com Costa, Minas Gerais tem um papel relevante nessa revolução em curso no mundo para garantir a produção e acumulação de energia e fabricação de veículos elétricos. Entre esses minerais do futuro, fundamentais nesse novo cenário, estão os elementos das terras-raras, além de lítio, grafita, nióbio, gálio, índio e titânio.

“Em Minas, o titânio se destaca entre os chamados materiais portadores do futuro, pois ainda não foi explorado e tem grande potencial de produção”, sinaliza.

Segundo ele, o Estado tem o maior recurso de titânio contido em um mineral que não é industrializado até o momento, que se chama anastásio e que pode ser encontrado nos municípios de Serra do Salitre (Alto Paranaíba) e Tapira (Alto Paranaíba) e na região no Triângulo Mineiro.

“Nós temos lá 1 bilhão de toneladas com teores altíssimos, da ordem de 20%”, e a Codemig está fazendo um trabalho para fazer disso uma área de negócio”.

No entanto, será preciso superar um grande gargalo, que é a tecnologia. E, por isso, informou Costa, a Codemig está cumprindo a primeira etapa de um processo de desenvolvimento tecnológico para tratar o anastásio.

“Estamos trabalhando no Centro de Desenvolvimento de Tecnologia Mineral, ligado à UFMG, que começou em 1º de julho e tem um prazo de 15 meses para a gente entender se consegue gerar tecnologia competitiva para produzir titânio desse mineral.”. O projeto é fruto de uma parceria da Codemge com a Mosaic, empresa norte-americana que comprou a Vale Fertilizantes.

Segundo Costa, esse projeto esteve com a Vale durante muito tempo, mas o conceito da empresa era vender concentrado de minério. “O que não é o nosso conceito. Nós queremos produzir com maior valor agregado”, explicou.

Investimentos – Segundo Costa, Minas está criando um ambiente favorável para atrair investimentos nesse segmento de materiais portadores do futuro.

Entre as ações, está a criação de um laboratório-fábrica de produção de ímãs de terras-raras; a instalação de uma fábrica de células de lítio e enxofre, em vias de construção, além de uma planta piloto de grafeno que está sendo desenvolvida em parceria pelo Centro de Desenvolvimento de Tecnologia Nuclear/MCTIC e UFMG. Uma unidade piloto está produzindo 150 quilos de grafeno/ano.

“O desafio do grafeno é a aplicação industrial. Tem aplicação específica, mas com mercado potencial enorme”, indica Costa, ressaltando que o caminho de Minas para aproveitamento de todo o seu potencial é trabalhar de forma integrada, “pesquisando e buscando aplicação industrial”. (Com informações da Codemig e Codemge).

Projeto visa impulsionar demanda por nióbio

Dos materiais portadores do futuro, o diretor de Mineração, Energia e Infraestrutura da Codemge, Renato de Souza Costa, destaca a produção de lítio em Minas desde 1985, em Araçuaí (Norte) e Divisa Alegre (Norte) e a liderança global em nióbio, pela Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) em Araxá (Alto Paranaíba). A Companhia Mineradora do Pirocloro de Araxá (Comipa), joint venture entre a Codemig e a CBMM, gerencia as jazidas, cabendo à CBMM a exploração.

“Há uma parceria da CBMM com a Toshiba e trabalhos estão sendo desenvolvidos para colocação do nióbio no mercado de baterias. Este será o tipo de bateria mais importante, em termos de carga, em tempo de carga e intensidade de carga”, explica Costa, lembrando que, inicialmente, a CBMM estudava a utilização do nióbio apenas no elemento catódico, e agora estuda também no elemento anódino.

“Então teremos nióbio nas duas pontas das células para fazer a bateria. Uma coisa fantástica, um desenvolvimento do Brasil juntamente com uma empresa japonesa”.

Em relação à grafita, Costa destaca que Minas Gerais tem uma liderança significativa no mundo. “Aqui em Itapecerica (Centro-Oeste) se produz grafita desde a década de 40, de altíssima qualidade, 120 tipos diferentes de produtos. O Brasil é o terceiro maior produtor, tem a segunda maior reserva, e Minas Gerais é o estado que produz hoje 90 mil toneladas/ano”, informou. Segundo ele, há grande potencial também nos estados de São Paulo, Tocantins, Ceará e Bahia.

Quanto às terras-raras, nicho dominado pela China que detém cerca de 90% do mercado global, Costa vê grande possibilidade de inserção, a depender de investimentos em pesquisa e desenvolvimento.

“Terras raras são um elemento importante para a demanda futura com carros elétricos, equipamentos de maneira geral, utensílios domésticos, produção de energia elétrica, energia eólica… Nós temos que tirar proveito dos recursos enormes que nós temos em Minas e no Brasil”, aponta.

Para isso, argumenta, o Brasil precisaria retomar a discussão sobre projetos de terras-raras, como aconteceu de 2011 a 2015. Os modelos de fomento aos negócios de mineração da Austrália e Canadá podem ajudar no desenvolvimento do setor mineral brasileiro.

Sustentabilidade – Na avaliação de Costa, esse mercado de novos minerais está sendo impulsionado pela pressão do contingente humano e por questões ambientais, que exigem novas formas de geração e armazenamento de energia, além da redução de gases responsáveis pelo efeito estufa. Os veículos elétricos já são uma tendência em países como China, Coreia do Sul, Japão e Alemanha.

Setor elabora novos padrões de segurança

Um painel da indústria global de mineração, encarregado de elaborar novos padrões de segurança após o desastre da barragem de rejeitos da Vale em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, incluirá regras para melhor definir a responsabilidade administrativa, disse o presidente do Conselho Internacional de Mineração e Metais (ICMM, na sigla em inglês), Tom Butler.

O padrão de governança também ajudará a garantir análises independentes das barragens e a divulgação adequada dos riscos de segurança, afirmou Butler. O ICMM está estabelecendo os padrões.

O rompimento da barragem da Vale em Brumadinho gerou um movimento para que se estabeleça regras globais para construção e inspeção de tais instalações, que contêm rejeitos enlameados.

Embora a causa do desastre de Brumadinho ainda esteja sob avaliação, alguns especialistas sugeriram que falhas na governança da mineradora estariam, em parte, por trás do problema.

O ICMM representa cerca de um terço da indústria de mineração, mas Butler disse que os padrões, que estão sendo elaborados por um painel com oito especialistas em rejeitos, saúde, riscos e direito, podem influenciar o setor de forma mais ampla.

Um projeto dos padrões, “está quase pronto” e deve ser concluído entre o final de setembro e o início de outubro, disse Butler.

Em seguida, haverá um período de consulta pública, com os novos padrões devendo ser finalizados e divulgados no primeiro semestre de 2020, acrescentou. (Reuters)

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