Executivo próximo a Ghosn se demite da Nissan em meio a investigação

TÓQUIO – Um dos principais executivos da montadora japonesa Nissan demitiu-se, chocando ainda mais a alta diretoria da montadora japonesa, que está ampliando uma investigação interna sobre a alegada má conduta financeira do ex-presidente Carlos Ghosn, preso no Japão por fraude fiscal e abuso de confiança.

José Muñoz, considerado um aliado próximo de Ghosn e um possível sucessor para liderar a parceria de automação entre a Nissan e a francesa Renault SA, era visto como suspeito na ampliação da investigação sobre o caso levada a cabo pela multinacional.

munozO executivo de 53 anos, que era diretor de Desempenho da Nissan e chefe de operações na China, fez o anúncio em um post no LinkedIn na sexta-feira. Em comunicado, a Nissan disse que Munoz havia “escolhido se demitir” da empresa, com efeito imediato. Ela se recusou a oferecer mais detalhes.

Muñoz se torna a mais recente baixa em casos de corrupção desde que, em novembro, a Nissan removeu Ghosn da presidência e demitiu o diretor Greg Kelly.

A demissão representa mais um revés para a montadora japonesa, que está lidando com o escândalo ao mesmo tempo em que luta para sustentar a lucratividade nos Estados Unidos e se expandir fortemente na China.

A Reuters informou na sexta-feira que a montadora japonesa estava analisando as decisões tomadas nos Estados Unidos por Muñoz, que liderou as operações da Nissan na América do Norte de 2016 a 2018.

“Infelizmente, a Nissan está atualmente envolvida em assuntos que têm desviado seu foco e continuarão a desviá-lo”, disse Munoz em seu post. “Como tenho repetidamente deixado claro para a empresa, estou ansioso para continuar a ajudar a Nissan em suas investigações.”

No entanto, pessoas com conhecimento do assunto disseram que Muñoz, que havia sido posto em licença no início do mês, não estava cooperando com a investigação interna.

Escândalou abalou indústria

Ghosn, que já foi um dos executivos mais célebres da indústria automobilística e âncora da aliança da Nissan com a Renault, permanece sob custódia em um centro de detenção de Tóquio desde sua primeira prisão no final de novembro.

Ghosn foi indiciado por duas acusações de subestimar sua renda e agravar a quebra de confiança por ter temporariamente transferido perdas de investimento pessoal no valor de 1,85 bilhão de ienes (US $ 17 milhões) para a Nissan.

O escândalo causou ondas de choque na indústria automotiva e aumentou as tensões entre a Nissan e a Renault, onde Ghosn permanece como diretor executivo e presidente do conselho.

Muñoz entrou para a montadora em 2004 na Europa e liderou uma expansão significativa da empresa na América do Norte após a crise financeira global. Desde então, a Nissan conseguiu aumentar sua participação de mercado nos Estados Unidos e registrou vendas recordes.

No início deste ano, a Nissan encaminhou Muñoz para supervisionar suas operações na China, onde planeja aumentar as vendas nos próximos anos.

Desde então, o maior mercado de automóveis do mundo tem mostrado sinais de desaceleração, levando a montadora a cortar os planos de produção local nos próximos meses.

Source: http://oglobo.globo.com/rss.xml?completo=true

Loading...