Ex-prefeito de Lima é preso por receber pagamentos da Odebrecht e da OAS

LIMA — O ex-prefeito de Lima Luis Castañeda foi detido nesta sexta-feira sob acusação de ter recebido contribuições ilegais das construtoras brasileiras OAS e Odebrecht para sua campanha política, um escândalo que também respinga em quatro ex-presidentes do país. A ordem de prisão preventiva foi dada pela juíza María Álvarez, que determinou que ele fique detido por 24 meses.

Castañeda é acusado de ter recebido ilegalmente US$ 480 mil da OAS para sua campanha à prefeitura em 2014 e outros U$ 150 mil da Odebrecht. Ele é o segundo ex-prefeito de Lima com prisão preventiva decretada por conta dos escândalos de corrupção envolvendo as construtoras brasileiras.

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A Procuradoria do país havia pedido 36 anos de prisão para Castañeda, de 74 anos, que por duas vezes administrou da capital peruana (2003-2010 e 2014-2018) e se lançou candidato à Presidência do país (em 2000 e 2011). Embora a juíza tenha reduzido o prazo, ela descartou a possibilidade de deixá-lo em prisão domiciliar, como havia pedido a defesa, alegando supostos problemas de saúde.

Segundo as investigações do Ministério Público do Peru, o ex-prefeito responde a “lavagem de dinheiro, associação criminosa e conluio”. Se condenado, Castañeda por pegar até 35 anos de prisão. As investigações apontaram ainda que o político pode ter recebido subornos para beneficiar a construtora OAS em troca de contratos para obras de infraestrutura em Lima.

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Castañeda foi prefeito da capital peruana em três períodos: de 2003 a 2010 e entre 2015 e 2018. Durante sua gestão, ele fez obras para ampliar as ruas da cidade.

Apesar de Castañeda não ter oficialmente nenhuma queixa contra ele, Álvarez aceitou o pedido dos promotores de prendê-lo por “tentativa de obstrução” de Justiça.

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No Peru, há três exigências para a prisão preventiva: motivos razoáveis para crer que o imputado cometeu um delito; que este delito, se punido, acarrete em mais de quatro anos de prisão; que é razoável inferir que existe um perigo real de que o acusado fuja ou que tente manipular a investigação judicial.

Álvarez disse que este é um caso “complexo”, já que envolvem as construtoras brasileiras, as quais chamou de “organizações criminosas internacionais”.

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As denúncias de corrupção ligadas às construtoras brasileiras provocaram um terremoto político no país, envolvendo quatro ex-presidentes, quase todos os partidos políticos e também a líder opositora Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, que cumpre prisão preventiva.


Com Agências | oglobo


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