Evo Morales considera revés eleitoral de Macri 'uma rebelião' contra o FMI

LA PAZ – A derrota eleitoral do presidente da Argentina, Mauricio Macri, diante do kirchnerista Alberto Fernández, no domingo passado, é uma “rebelião” contra o modelo econômico do FMI, avaliou o presidente da Bolívia, Evo Morales.

— Entendo que é uma rebelião do povo argentino contra o modelo econômico do Fundo Monetário Internacional— disse o governante boliviano, antigo aliado dos ex-presidentes Néstor e Cristina Kirchner, em entrevista coletiva.

Um dia após o presidente Jair Bolsonaro prever consequências graves para o país vizinho caso Fernández ganhe, estimando que, no futuro, o país será comparável à Venezuela, Morales, de esquerda, disse se preocupar com as repercussões na economia do seu país.

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O presidente boliviano informou que teve reuniões com empresários locais e sindicatos e trabalhadores indígenas para avaliar “até que ponto esse problema econômico pode nos afetar. Eu acho que o dólar disparou” na Argentina.

— Isso preocupa muito — acrescentou.

O governante da Bolívia criticou várias vezes os acordos do governo Macri com o FMI para sair de uma recessão que atinge o país desde 2018, traduzido em um empréstimo de emergência de mais de US$ 56 bilhões, em troca de um plano de austeridade.

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Morales, um aliado de Cuba e da Venezuela, várias vezes afirmou que o seu país é um exemplo de como alcançar estabilidade e crescimento econômico sem fazer pactos com o FMI.

Segundo dados oficiais, a economia boliviana cresceu uma média de 4,9% anualmente de 2006 a 2017, período no qual mais de três milhões de pessoas saíram da pobreza. O governo estima que a economia crescerá 4% ao ano entre 2019 e 2022.

Depois das primárias, que são um termômetro para as eleições presidenciais de outubro na Argentina, a moeda do país caiu 18,76% na segunda feira, para 57,30 pesos por dólar, e a bolsa de Buenos Aires perdeu 37,93%.

Alberto Fernández venceu as primárias com 47% dos votos, contra 32% de Macri

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