Dólar volta aos R$ 4 com temor por desaceleração econômica global

Dados ruins da indústria chinesa e a retração do Produto Interno Bruto (PIB) da Alemanha influenciam o mercado brasileiro nesta quarta-feira, 14. Às 14h50, o Ibovespa tinha queda de 2,6%, aos 100.582 pontos. No mesmo horário, o dólar comercial subia 1,4%, cotado aos 4,02 para a venda. É o terceiro dia consecutivo que o câmbio atinge o patamar dos 4 reais.

O cenário é resultado da piora da economia chinesa em julho, com o crescimento da produção industrial desacelerando para uma mínima de mais de 17 anos no país. “O dado retrata uma certa dificuldade para a segunda maior economia do planeta em lidar com a disputa comercial contra os Estados Unidos”, diz André Perfeito, analista-chefe da corretora Necton.

Após os Estados Unidos anunciarem novas tarifas aos produtos chineses no final de julho e a moeda do país asiático, o yuan, se desvalorizar para seu menor valor em dez anos movimento visto como retaliação —, os dois países tiveram um dia de afrouxamento de tensões na terça-feira. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o adiamento de partes das tarifas adicionais, previstas para setembro. Agora, elas só devem passar a valer em dezembro. A calmaria não se estendeu até esta quarta. Com os dados fracos da China, investidores temem a influência que a disputa comercial tem no cenário global de desaceleração econômica. Por este motivo, os dados da indústria chinesa têm tanto reflexo no mercado.

A aversão ao risco tem aumentado e a tendência é de realização de lucros. “Existe um sentimento disseminado no mercado que talvez a gente esteja perto de uma realização forte nos mercados maduros principalmente dos Estados Unidos, porque os juros lá estão muito baixos”, aponta Perfeito.

No exterior, os índices americanos S&P 500 e Dow Jones caíam 2,7% e 2,6%, respectivamente, por volta das 14h. Na Europa, com as bolsas já fechadas, o índice alemão DAX caiu 2,2%, e o francês CAC, 2,1%.

PIB da Alemanha

Além disso, outro dado divulgado nesta terça e que reflete a desaceleração do crescimento econômico global é a retração de 0,1% do PIB da Alemanha no segundo trimestre deste ano ante o período ligeiramente anterior. De janeiro a março, o desempenho foi de alta de 0,4%. Para analistas, a fraca atividade da indústria alemã é influenciada pela disputa comercial entre China e Estados Unidos e pela indefinição do Brexit.

Com o resultado alemão, a expansão do PIB da zona do euro desacelerou no segundo trimestre de 2019. Segundo o Gabinete de Estatísticas da União Europeia, de acordo com dados divulgados nesta quarta-feira, o crescimento econômico nos 19 países da zona do euro foi de 0,2% de abril em comparação aos três meses anteriores, representando uma desaceleração da taxa de 0,4%.


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