Desmobilização vira plataforma da Codemge

O novo diretor-presidente da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), Dante de Matos, está prometendo uma verdadeira reforma na instituição. Ele participou, no dia 12, de reunião na Sociedade Mineira de Engenheiros (SME), e anunciou uma “desmobilização racional” de projetos considerados pouco estratégicos. Essa ação prevê o abandono de aportes em termas e balneários, centros de convenções, fundos de investimento, além do corte de participações societárias em empresas como o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) e a Helibras.

“Toda vez que você faz investimentos espalhados demais você perde o foco e o impacto social. Estamos buscando ações que trarão impacto perene para a sociedade”, explicou o diretor a uma plateia de engenheiros.

Para ele, a instituição se comprometeu com “demasiados negócios”, sendo que alguns não trazem retornos significativos, outros não têm sentido por não ser competência do Estado e outros simplesmente geram prejuízo.

“Um exemplo é operação da Rodoviária de Belo Horizonte. O que o Estado tem a ver com isso? Também temos 3 mil imóveis que serão todos vendidos porque não faz sentido ter estoque de terreno. Outro exemplo: vale a pena o Estado ter ações da Helibras? O que o Estado tem a ver com fabricação de helicóptero como sócio de um negócio? A coparticipação que temos na Helibras dava para construir 50 escolas, pagar melhor os professores, pagar em dia os funcionários públicos”, ressaltou.

Nessa mesma linha de participação societária, o diretor também citou os 10% de participação minoritária no BDMG e afirmou que isso também “não faz mais sentido”. Outro projeto que deve sofrer cortes nessa nova gestão é o Fundo de Investimento de Participação (FIP) Aerotec, que investe em empresas dos setores aeroespacial, defesa e novos materiais. Segundo Matos, o fundo abriga projetos pouco estratégicos para o Estado e, por isso, alguns serão desmobilizados.

O setor de turismo no Estado também receberá sua parcela de cortes no portfólio de projetos na Codemge. Entre eles está a gestão de termas e balneários de águas minerais em cidades como Caxambu, Lambari e Araxá, no Sul de Minas. O diretor afirma que trata-se de concessões onerosas para o Estado.

“Nós estamos doando termas e balneários se alguém quiser. É prejuízo direto. O Termas de Poços de Caldas custa R$ 6 milhões por ano para o Estado dar banho em paulista”, criticou.

Os centros de convenções em cidades do interior também serão implantados com mais cautela na gestão de Matos. Ele lembrou que centros como o de Juiz de Fora, na Zona da Mata, e de São João Del-Rei, no Campo das Vertentes, consumiram mais de R$ 100 milhões cada, mas são pouco utilizados.

“Para ter um centro de convenções a cidade tem que ter, pelo menos, 300 mil a 400 mil pessoas, senão não para em pé”, disse.

Ainda na área de turismo, o diretor comentou o fim do programa Voe Minas, que oferecia voos entre Belo Horizonte e cidades do interior do Estado com o objetivo de fomentar os negócios regionais. Matos destacou que a logística não funcionava, uma vez que o passageiro que chegava ao Aeroporto Carlos Drummond de Andrade, na Pampulha, tinha que se deslocar até o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. “O Voe Minas foram R$ 18 milhões jogado no lixo”, disparou.

Matos afirmou que a maior parte da receita do Estado, hoje, vem da Codemge e, por isso, os projetos apoiados por essa instituição precisam ser bem pensados. Segundo ele, a instituição arrecadou R$ 1 bilhão em 2018 e a previsão pra 2019 é de R$ 1,3 bilhão.

“Temos que desonerar o Estado de coisas que não fazem sentido. Se a gente ficar olhando para trás nunca vamos olhar pra frente”, disse.

Investimentos que trazem retorno – O diretor-presidente da Codemge, Dante de Matos, destacou que a desmobilização de projetos pouco estratégicos abrirá espaço para ações com maior potencial de retorno para o Estado. Entre os temas que mais devem atrair a atenção da Codemge nos próximos anos estão grafeno, baterias de lítio-enxofre usina de imãs terras-raras.

Matos falou sobre o LabFab Superimãs Terras-Raras, em Lagoa Santa, na RMBH, que receberá R$130 milhões de investimento. Segundo ele, o prédio está praticamente pronto e os equipamentos estarão todos montados até janeiro de 2020.

“A partir das terras-raras obtemos os ímãs permanentes, que são usados em motores elétricos de alta eficiência e podem ser usados, por exemplo, em aerogeradores e carros elétricos”, disse.

Também estão entre as apostas dessa nova gestão projetos para reprocessamento e reaproveitamento de rejeitos de mineração; de processamento de resíduos sólidos urbanos, além de um complexo turístico em Araxá com investimento previsto de US$1 bilhão.

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