Crivella exonera administradores de 18 órgãos da prefeitura em um dia

77911821_RI Rio de Janeiro RJ 12-07-2018 Vereadores votam abertura de processo de impeachment de.jpgRIO – Como antecipado pela colunista do Extra Berenice Seara, começou a redistribuição de cargos na prefeitura. O objetivo das mudanças seria punir vereadores que votaram contra o prefeito Marcelo Crivella na votação de impeachment – derrotado por 29 votos a 16 -, realizada em 12 de julho. Nesta sexta-feira, por meio do Diário Oficial, a prefeitura anunciou mais de 60 nomeações e exonerações, que afetam cargos de comando em 18 órgãos administrativos da prefeitura. Destes, pelo menos 11 estão em áreas de influência de políticos a favor da abertura do pedido de impeachment. Os principais punidos pelo prefeito foram os vereadores Rosa Fernandes (MDB), Rafael Aloisio Freitas (MDB) e Zico (PTB).

Na área de Rosa Fernandes, houve mudanças de primeiro escalão na 6ª Coordenadoria de Assistência Social e Direitos Humanos e na XIV Administração Regional, ambas em Irajá. Também foram feitas exonerações na Superintendência de Supervisão Regional da AP-3.3, em Madureira; e na XII Administração Regional, em Inhaúma, que também seriam áreas de influência da política.

– Isso já era previsto, mas não posso condicionar meu voto em detrimento do que julgo ser correto e bom para a população . Conversei com os servidores que estavam nomeados, expliquei a situação e todos apresentaram e protocolaram suas cartas de exoneração desde o dia 10 de julho na Casa Civil. Portanto, esta atitude não me surpreende – afirmou a vereadora.

No caso de Freitas, cuja área de influência abarca o Grande Méier, as perdas foram ainda maiores. O vereador perdeu espaço em pelo menos seis órgãos da prefeitura. No Méier, o Crivella exonerou os administradores da Supervisão Regional da AP-3.2 e da XIII Administração Regional. Em Rio Comprido, foi trocado o administrador da III Administração Regional. Caiu também o diretor da Casa de Convivência e Lazer para Idosos Bibi Franklin Leal, na Tijuca. E foi exonerado ainda o administrador da IX Administração Regional, em Vila Isabel.

– Na semana passada eu já havia conversado com os servidores que estavam nomeados sobre a minha posição a favor da abertura da investigação para apurar infração político-administrativa do prefeito. Os atos no Diário Oficial de hoje só confirmam a forma desrespeitosa com que a atual administração trata os seus servidores públicos, muitos com vários anos de carreira, que ficam sabendo de exonerações e nomeações somente pelo Diário oficial sem qualquer justificativa. Infelizmente a cidade está sendo desconstruída pela atual administração – disse Freitas.

Em Campo Grande, área de influência de Zico, Crivella trocou o comando da 9ª Coordenadoria Regional de Educação, da Secretaria Municipal de Educação e da 9ª Coordenadoria de Assistência Social e Direitos Humanos. Na segunda-feira, 16, Crivella já havia exonerado outro indicado de Zico, na Gerência Campo Grande da Comlurb.

– Queremos atender a população, estamos aqui para servir. Vamos continuar trabalhando e servindo a população. A resposta vai ser dada na eleição. Há um desespero, por quem não mostra trabalho, de pegar estes cargos, ainda mais perto do período eleitoral. Eu não preciso disso, cresci de 6 mil votos para mais de 20 mil entre um mandato e outro.

EX-VEREADOR É NOMEADO

No caso da Superitendência regional do Méier, o cargo já foi preenchido. O empossado é o ex-vereador Carlos Roberto Alberto Saes Bencardino, que teve mandato na Câmara de 2009 a 2012 e não conseguiu se eleger para o período de 2012 a 2016.

O filho do vereador, Guilherme Bencardino, trabalha no gabinete de Relações Institucionais, subordinado à Casa Civil, chefiada por Paulo Messina. Em 2016, Guilherme tentou se eleger na Câmara pelo PTN, mas terminou o pleito como suplente. Seu maior doador de campanha foi o comitê de campanha do próprio prefeito, Marcelo Crivella.

VEREADORA QUER INVESTIGAR

A vereadora de oposição, Teresa Bergher, afirma que irá investir a forma como foram feitas as exonerações nesta semana. O objetivo, de acordo com ela, é que isso seja investigado dentro da chamada “CPI da Márcia”, que já foi protocolada na Câmara.

– Essas exonerações e nomeações são a extensão da reunião em que Crivella deixou claro o uso da máquina para beneficiar aliados. A CPI da Márcia vai investigar essas nomeações, moeda de troca para enterrar o impeachment.

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