Crítica do filme: 'Uma quase dupla'

O espectador já viu esse filme antes. Mas isso não é um problema, mas, sim, a razão de ser de “Uma quase dupla”. Marcus Baldini conduz uma diversão que satiriza as tramas policiais por meio da acidentada interação entre Keyla (Tatá Werneck), uma estressada investigadora da cidade grande, e Cláudio (Cauã Reymond), um subdelegado tranquilo e superprotegido pela mãe, Marlize (Louise Cardoso), que vive na pequena e até então pacata Joinlândia, subitamente abalada por um assassinato — logo seguido de outros. Ambos são obrigados a desvendar o crime inicial (e, na sequência, os demais) num esforço conjunto. Opostos no modo de encarar o trabalho, entram em inevitáveis conflitos.

Baldini aposta suas fichas nas atuações de Werneck e Reymond. Ela comprova domínio de seu conhecido registro de humor, e ele compõe com habilidade um tipo empático. Apesar disso, o roteiro de Ana Reber e Leandro Muniz (com colaboração de Fernando Fraiha, Daniel Furlan e Werneck) proporciona poucos momentos realmente engraçados. Menções a produções de suspense que alcançaram sucesso — como “O silêncio dos inocentes” (1991), de Jonathan Demme, e “Seven” (1995), de David Fincher — surgem de maneira discreta.

O desfecho pode causar algum incômodo, ainda que o objetivo seja brincar com a convenção do personagem ingênuo que se destaca em relação ao esperto, invertendo as expectativas construídas no decorrer da projeção. Serviço do filme ‘Uma quase dupla’

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