Cinco peças elogiadas, e que deixam os palcos até domingo

Neste fim de semana, espetáculos elogiados se despedem dos palcos. É a última chance para ver o premiado “Tom na fazenda”, com Armando Babaioff, e o bem-humorado “Sísifo”, com Gregório Duvivier. O drama “A golondrina” também encerra temporada, no Centro.

Abaixo, confira uma lista de atrações teatrais imperdíveis (e em cartaz só até domingo):

‘Tom na fazenda’

Armando Babaioff e Gustavo Vaz, em cena da peça ‘Tom na fazenda’ Ricardo Brajterman / Divulgação

Uma das peças mais premiadas em 2017, quando fez sua primeira temporada no Rio, a montagem para o texto de Michel Marc Bouchard acumula uma legião de fãs, muitos dos quais se tornaram espectadores assíduos nas poltronas.

Adaptada para os cinemas em 2013 — em filme homônimo dirigido pelo franco-canadense Xavier Dolan —, a história acompanha os dramas de um publicitário que, após a morte de seu companheiro, vai à fazenda onde o rapaz morava para o funeral. Lá, ele descobre que ninguém sabia de sua existência, tampouco que o namorado era gay.

Responsável pela tradução do texto, Armando Babaioff protagoniza a trama ao lado de Gustavo Vaz, vencedor do Prêmio Shell pelo trabalho na peça. Soraya Ravenle (que substitui Kelzy Ecard) e Camila Nhary também integram o elenco dirigido por Rodrigo Portella.

Teatro Petra Gold — Sala Marília Pêra:
Rua Conde de Bernadotte 26, Leblon — 2529-7700. Sex a dom, às 19h30. R$ 70 (sex
e sáb) e R$ 80 (dom). 120 minutos. Não recomendado para menores de 18 anos. Até
16 de fevereiro.

‘Sísifo’

‘Sísifo’ Divulgação

Ir e voltar para permanecer no mesmo lugar. Ou não. Na peça escrita em parceria com Vinícius Calderoni — também responsável pela direção da montagem —, Gregório Duvivier sobe e desce uma rampa, ao longo de 60 minutos, em sucessão de piadas curtas que evocam o herói da mitologia grega citado no título.

Explica-se: Sísifo é o personagem condenado a carregar uma pedra pesada até o topo de uma montanha para, em seguida, a empurrar lá de cima e a assistir rolar, descendo em seguida para recomeçar o ato “inútil e sem esperança”.

— É uma peça que recorre à mitologia grega para falar, sobretudo, da condição humana, da nossa correria cotidiana. Uma hora essa rampa é o trabalho, outra hora é o amor. Tem comédia, drama, tragédia… — contou Gregório, em entrevista ao RIO SHOW.

O resultado são 60 cenas rápidas que pincelam temáticas contemporâneas, da política à paternidade, de relacionamentos amorosos à excessiva virtualização das vidas, sem intervalos entre um episódio e outro. Leia a crítica do espetáculo, AQUI.

Teatro Prudential: Rua do Russel 804, Glória — 3554-2934. Sex e sáb, às 21h.
Dom, às 19h30. R$ 90. 60 minutos. Não recomendado para menores de 16 anos. Até
16 de fevereiro.

‘Auto de João da Cruz’

O elenco da Cia OmondÉ, em cena da peça ‘Auto de João da Cruz’ Rodrigo Menezes / Divulgação

Foram mais de 60 anos sem que a peça de Ariano Suassuna (1927-2014), escrita em 1950, alcançasse as plateias em montagem profissional. Pronto, a informação já serve de bom motivo para a ida ao teatro: está aí a chance de assistir a um texto praticamente inédito de um dos mais importantes autores brasileiros, em encenação assinada pela Cia OmondÉ.

Recriação do clássico “Fausto”, de Goethe, a história acompanha o périplo de um sertanejo ambicioso que vende a própria alma em busca de fortunas e aquisições materiais. Oito atores integram o elenco, em que se destacam o protagonista (Zé Wendell) e Junior Dantas (nome à frente das cenas que mais arrancam risos).

— Não que seja igual, mas há passagens da peça em que reconheço a mesma intensidade de “Hamlet”, por exemplo — ressalta a diretora Inez Viana, que manteve uma profícua parceria com Suassuna em outros trabalhos nos últimos 16 anos.

Teatro Firjan Sesi: Rua Graça Aranha 1,
Centro — 2563-4163. Sex e sáb, às 19h. Dom, às 18h. R$ 40. 90 minutos. Não
recomendado para menores de 14 anos. Até 16 de fevereiro.

‘Isto é um negro?’

Cena da peça ‘Isto é um negro?’ Rodrigo de Oliveira / Divulgação

O sucesso do espetáculo encenado pelo grupo EQuemÉGosta? é tão grande que todos os ingressos da temporada estão esgotados desde a estreia. Para tentar uma das concorridas entradas, é preciso chegar cedo ao teatro — e torcer para que haja algum desistente.

Embasada em textos teóricos de autores como Fred Moten, Achille Mbembe, Bel Hooks, Grada Kilomba, Frantz Fanon, Sueli Cordeiro e Aimé Cesaire, além de experiências do próprio elenco, a peça aborda, de maneira irreverente, questões relacionadas a experiência de ser negro no Brasil.

“Se, por um lado, a narrativa parte da diferença entre corpos negros e brancos em uma sociedade arruinada pelo racismo estrutural, por outro ele se vale continuamente da ironia para desestabilizar qualquer visão unilateral — e portanto racista — da própria negritude”, diz o crítico Patrick Pessoa, em texto publicado no GLOBO.

Sesc Copacabana (Mezanino): Rua Domingos
Ferreira 160, Copacabana — 2548-1088. Sex a dom, às 20h. R$ 30. 110 minutos. Não
recomendado para menores de 18 anos. Até 16 de fevereiro. Os ingressos estão
esgotados até o fim da temporada
.

‘A golondrina’

Luciano Andrey e Tania Bondezan, em cena da peça ‘A golondrina’ João Caldas / Divulgação

Montagem para o texto escrito pelo catalão Guillem Clua, a peça dirigida por Gabriel Fontes Paiva é ferramenta útil na luta contra a homofobia, como lembra o crítico Patrick Pessoa, em texto publicado recentemente.

Inspirada no ataque homofóbico que deixou 50 mortos no Bar Pulse, em Orlando (EUA), em junho de 2016, a história acompanha a relação entre duas pessoas intimamente ligadas ao trágico evento. Tania Bondezan e Luciano Andrey dividem a cena.

Teatro Sesc Ginástico: Av. Graça Aranha
187, Centro — 2279-4027. Sex e sáb, às 19h. Dom, às 17h. R$ 30 (quem levar 1kg
de alimento paga meia). 90 minutos. Não recomendado para menores de 14 anos. Até
16 de fevereiro.


Com Agências | oglobo


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