Caso Tatiane Spitzner: marido réu por feminicídio é interrogado nesta quinta


Após ouvir testemunhas e familiares do casal em audiências anteriores, Luis Felipe Manvailer dará sua versão sobre o dia da morte, em Guarapuava. Luis Felipe Manvailer ficou calado e fez anotações em audiências anteriores
Reprodução/RPC
Luis Felipe Manvailer será interrogado pela Justiça nesta quinta-feira (21) em Guarapuava, na região central do Paraná. Ele é acusado de ter matado a própria esposa, a advogada Tatiane Spitzner, em 22 de julho de 2018.
Em audiências anteriores, testemunhas e familiares do casal foram ouvidos pela Justiça. Esta é a segunda vez que o réu falará sobre o crime. A primeira vez foi durante uma audiência de custódia em São Miguel do Iguaçu, no oeste do estado.
As audiências servem para que a juíza Paola Mancini, responsável pelo caso, defina se o réu irá para júri popular, ou não. Luis Felipe Manvailer é acusado pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) por homicídio qualificado, cárcere privado e fraude processual.
Segundo o MP-PR, o réu matou Tatiane Spitzner por asfixia mecânica. O crime de homicídio também foi qualificado por motivo torpe, dificultar a defesa da vítima, além de feminicídio, conforme a denúncia do Ministério Público.
A defesa de Manvailer informou que espera que a solenidade processual transcorra dentro do que prevê a lei processual.
Tatiane Spitzner foi encontrada morta após cair do 4º andar do prédio em que morava. Câmeras de segurança registraram Luis Felipe agredindo a esposa antes da queda.
Veja o que se sabe sobre crime
A Justiça começou a ouvir testemunhas do crime e familiares do casal em dezembro do ano passado. Na primeira audiência de instrução, 13 pessoas foram ouvidas. Os depoimentos duraram cerca de dez horas. Foram ouvidos o delegado do caso, Bruno Maciozeck, policiais civis, amigos e vizinhos do casal, além de um auxiliar do Instituto Médico-Legal (IML). Uma vizinha do casal disse na audiência que ouviu gritos de socorro e depois viu Luis Felipe arrastando o corpo de Tatiane para dentro do prédio.
Dois dias depois, uma segunda audiência foi realizada pela Justiça. Das 15 testemunhas convocadas para falar, cinco foram dispensadas. Os depoimentos duraram oito horas. Neste depoimento a Justiça ouviu o pai e irmã de Tatiane. Os dois falaram sobre comportamentos agressivos de Luis Felipe com Tatiane. O pai da advogada também descartou a possibilidade da filha sofrer de depressão. Um médico do casal também foi ouvido e disse nunca ter percebido nenhum indício da doença.
Durante a audiência de dezembro, a defesa de Luis Felipe Manvailer também pediu para que o interrogatório do réu fosse adiado. Os advogados alegaram que estavam pendentes o espelhamento do notebook de Tatiane e a contraprova do exame anatomopatológico (biópsia realizada no corpo). A defesa também pediu acesso às redes sociais da advogada.
Em 25 de janeiro deste ano amigos de Luis Felipe e André Manvailer, irmão dele, foram ouvidos por videoconferência em Curitiba. André disse que o Luis Felipe e Tatiane eram vistos como o casal perfeito e que já tinha visitado os dois em Guarapuava uma vez. Os depoimentos foram feitos por meio de Carta Precatória e anexados ao processo. Cinco dias depois, a juíza Paola Mancini marcou o interrogatório do réu no Fórum de Guarapuava para esta quinta-feira.
O que pode acontecer
Após o ouvir Luis Felipe Manvailer, a juíza decidirá se o réu irá ou não a juri popular com base nos depoimentos ouvidos. A juíza poderá decidir por um dos três caminhos a seguir:
Sentença de pronúncia: neste caso, a juíza entende que há indícios de que o réu é o autor do homicídio e o leva a júri popular;
Sentença de impronúncia: contrário ao quesito anterior, a juíza pode entender que não há indícios suficientes de que o réu tenha praticado os crimes de que é acusado. Se isso acontecer, o caso é arquivado e o réu é posto em liberade;
Desclassificação: a juíza também pode entender que o réu cometeu um crime diferente do que foi acusado. Sendo assim, o processo continua, mas a juíza o julgaria pelo crime em que o réu seria enquadrado.
Um dia após a morte da esposa, Luis Felipe Manvailer negou que matou Tatiane em audiência de custódia em São Miguel do Iguaçu
Reprodução
Morte de Tatiane Spitzner
A advogada Tatiane Spitzner foi encontrada morta na madrugada do dia 22 de julho no apartamento em que morava em Guarapuava. A Polícia Militar recebeu um chamado de uma mulher teria saltado ou sido jogada de um prédio e caído na calçada.
Ao chegar no local, a polícia encontrou sangue na calçada. Testemunhas relataram que um homem teria carregado o corpo para dentro do prédio. Segundo a PM, o corpo da advogada foi encontrado dentro do apartamento. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi chamado, mas Tatiane já estava morta, segundo o Boletim de Ocorrências (B.O.).
Para o MP-PR, Luis Felipe Manvailer matou a mulher por esganadura. Na sequência, ele jogou o corpo da advogada pela sacada do prédio onde morava, recolheu o corpo e o levou de volta para o apartamento, conforme a denúncia.
O réu foi preso algumas horas depois do crime ao se envolver em um acidente na BR-277, em São Miguel do Iguaçu, no oeste do Paraná. A cidade fica a 340 quilômetros de Guarapuava, onde o crime aconteceu.
Durante a audiência de custódia, Luis Felipe negou que tenha matado Tatiane e disse que a esposa se suicidou. Ele relatou que bateu o carro porque a imagem de Tatiane pulando da sacada não saía da cabeça dele. Para a Polícia Civil, o réu tentava fugir para o Paraguai.
Advogada Tatiane Spitzner foi encontrada morta em Guarapuava
Reprodução/TV Globo
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