Base aliada tenta evitar que crise chegue ao Congresso

BRASÍLIA — Na tentativa de afastar a crise política da agenda do governo no Congresso, líderes da base do presidente Jair Bolsonaro minimizam os efeitos da anunciada exoneração do chefe da Secretaria-Geral, Gustavo Bebianno, na tramitação da reforma da Previdência. O discurso adotado é o de que o ministro não faz a articulação do Planalto com parlamentares e que a questão é puramente “partidária”.

Na operação de contenção de danos, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e o próprio presidente começam a se reunir esta semana com líderes do Congresso e bancadas. A intenção é apresentar o texto da Previdência, em fase de finalização pela equipe econômica, primeiramente aos líderes.

Embora os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e outros parlamentares tenham defendido Bebianno durante a semana, um dos articuladores do governo no Congresso diz que “o ministro não tinha nenhuma influência nessas duas Casas”. Completa que ninguém torcia pela queda de Bebianno, “mas é hora de virar a página”.

Em uma estratégia para evitar a queda de Bebianno, Maia chegou a ligar para Paulo Guedes (Economia) e argumentou que a exoneração do ex-braço direito indicaria que o presidente poderá não honrar compromissos com o Congresso.

Líder do governo na Câmara, o deputado federal Major Vitor Hugo (PSL-GO) contesta as críticas de que a possível queda de Bebianno poderá ser interpretada como uma incapacidade de Bolsonaro em manter acordos com aliados.

— Não é o presidente que não honra os compromissos. A leitura é outra: se o presidente interpretar que houve quebra de confiança, ele está apenas reagindo a isso — disse o parlamentar.

O líder do governo acredita que a crise política será superada tão longo o governo envie a reforma da Previdência e o pacote de Lei Anticrimes, de Sergio Moro:

— Esse assunto não terá nenhuma repercussão negativa na Câmara. É algo pequeno diante do impacto desses projetos. A Previdência terá impacto em 30, 40 anos pra frente.

O líder do PR na Câmara, José Rocha (BA), diz que a crise envolvendo Bebianno é “uma questão do partido (PSL) deles”:

— Tem de ficar fora do Congresso. As matérias não podem ser contaminadas. A reforma da Previdência é extremamente necessária para o país. Já está bem discutida no sentido da sua necessidade. Agora, vamos analisar o texto para aprovar antes do recesso de julho.

A deputada estadual Janaína Paschoal (PSL -SP) disse ontem, em uma rede social, que Bolsonaro deve adotar critérios minimamente claros nos casos de demissões de ministros. Sem citar o titular do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio (PSL-MG), ela afirmou que, se Bebianno,“está saindo por eventual envolvimento com laranjas, outro membro da equipe citado em situação ainda mais problemática deve ser afastado também”.

“Durante a campanha até era possível fomentar a guerra de todos contra todos e deixar que a situação se acomodasse naturalmente, sem que ninguém ficasse ressentido com o candidato, que era de todos. Mas, no governo, tal postura será insustentável. Não tem cabimento um Presidente da República dizer que demitirá uma pessoa passados três dias. As admissões e demissões devem ser decididas e simplesmente comunicadas”, escreveu.

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