Áustria defende suspender negociações de adesão da Turquia à UE

Turkey ReferendumVIENA — O ministro do Exterior austríaco, Sebastian Kurz, defendeu nesta segunda-feira que a União Europeia (UE) suspenda as negociações de adesão da Turquia ao bloco, após o referendo que ampliou os poderes do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan. Antes da declaração de Kurz, a chanceler alemã, Angela Merkel, pediu a Erdogan “um diálogo respeitoso” com todos os partidos políticos depois da apertada vitória do “sim” na votação turca.

“Depois do referendo turco, não podemos fazer como se nada tivesse acontecido. É preciso demonstrar franqueza ao se tratar da relação entre UE-Turquia”, escreveu o ministro em um tuíte. “Devemos parar as negociações de adesão à UE e trabalhar, em vez disso, em um acordo de vizinhança com a Turquia”.

O presidente Erdogan obteve 51,41% dos votos no referendo de domingo — uma pequena margem questionada pela oposição —, abrindo caminho para uma reforma constitucional que reforça significativamente os seus poderes. Além disso, no domingo, o presidente turco levantou a possibilidade de outro referendo, desta vez para restaurar a pena de morte, algo inaceitável pela UE.

Merkel destacou o resultado apertado:

“O governo (alemão) espera que o governo turco, depois de uma dura campanha eleitoral, busque agora um diálogo respeitoso com todas as forças políticas e na sociedade”, destacou Merkel em uma breve declaração conjunta com seu ministro das Relações Exteriores, Sigmar Gabriel. “(O governo) respeita o direito dos turcos e das turcas de decidirem sobre sua Constituição”, completou, antes de apontar que “o resultado apertado mostra até que ponto a sociedade turca está profundamente dividida”.

“Isto supõe uma grande responsabilidade para os dirigentes turcos e para o presidente Erdogan pessoalmente”, prosseguiu, depois que o chefe de Estado turco fez uma violenta campanha verbal contra as autoridades alemãs após a proibição de comícios pró-Erdogan na Alemanha.

Berlim pediu ainda discussões políticas o mais rápido possível com Ancara tanto a nível bilateral como entre as instituições europeias e Turquia.

VOTAÇÃO CONTESTADA

Observadores da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) e do Conselho Europeu consideraram que o referendo foi feito de maneira desigual. Nesta segunda-feira, a oposição turca pediu a anulação da consulta, alegando irregularidades.

O apoio ao “sim” dominou a cobertura da campanha, e a prisão de jornalistas e o fechamento de veículos de comunicação impediram que outras opiniões fossem ouvidas, segundo os monitores. Além disso, as regras foram mudadas durante a votação, com cédulas sem o selo do conselho eleitoral sendo aceitas.

— Em geral, o referendo não seguiu os padrões do Conselho Europeu. O quadro jurídico era inadequado para a realização de um processo verdadeiramente democrático — disse Cezar Florin Preda, chefe da delegação.

Fonte: http://oglobo.globo.com/rss.xml?completo=true

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