Ancine suspende provisoriamente Programa de Apoio Internacional por falta de recursos

SÃO PAULO – Em reunião realizada nesta terça-feira, a diretoria colegiada da Agência Nacional de Cinema (Ancine) decidiu, entre outras coisas, suspender o Programa de Apoio Internacional para reanálise orçamentária. O programa, que apoia a participação de filmes e projetos brasileiros em festivais, laboratórios e workshops internacionais, paga a produção de cópias das produções para os eventos, transporte e também, em alguns casos, passagens para os cineastas.

A decisão foi tomada “ad referendum”, ou seja, com a ressalva de que será revista posteriormente. Com o recente afastamento do ex-diretor presidente da entidade, Christian de Castro, e de outros integrantes, o quórum ficou reduzido a duas pessoas: o atual titular da agência, Alex Braga, e uma das antigas diretoras, Débora Ivanov.

O documento, publicado no site da Ancine, registra ainda que a agência irá priorizar o pagamento da contribuição anual do Brasil ao Fundo Ibero-americano de apoio Ibermedia, programa de estímulo à promoção de projetos e à distribuição de filmes ibero-americanos. Além disso, também garante o funcionamento do Centro Técnico Audiovisual (CTAv), do Ministério da Cidadania, que faz a guarda e a conservação das cópias confeccionadas para o Programa de Apoio Internacional.

Em nota, a Ancine destaca que essas prioridades resultam da “realidade orçamentária e fiscal do País”. No mesmo documento, diz que, mesmo com a suspensão do programa para reanálise orçamentária, haverá “uma priorização dos festivais e eventos de maior relevância para o mercado audiovisual”.

Nas redes sociais, alguns cineastas brasileiros que tinham filmes em festivais internacionais se manifestaram dizendo que receberam comunicado da Ancine avisando que, por falta de recurso orçamentário, teriam o apoio previsto suspenso. Na mensagem enviada, a entidade cita o regulamento do programa em que a cessão dos recursos está condicionada a uma “disponibilidade financeira”.

Um desses diretores é Allan Deberton, que assina “Pacarrete”, vencedor este ano do 47º Festival de Gramado, protestou contra a decisão da Ancine de negar apoio à exibição do longa no Festival de Bogotá: “Único longa brasileiro no Festival de Bogotá, pedi suporte e recebi agora este e-mail”, escreveu o cineasta em uma publicação.

Segundo Deberton, o valor do apoio, que era de R$ 2,3 mil reais, não pagaria metade da sua passagem para o certame na Colômbia:

— Mas era importante para nós — diz ele, que também foi afetado recentemente pelo cancelamento de um edital do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), pois seu projeto de série fazia parte da linha de diversidade de gênero. — O programa servia justamente para auxiliar os produtores e diretores a divulgar os filmes no exterior. Quando isso deixa de existir, o governo acaba visibilidade dessas produções brasileiras. Isso é grave.

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