Alunas de Sapiranga participarão de conferência na Itália com projeto de combate à violência contra a mulher


Estudantes de 14 anos realizam debates sobre igualdade de gênero. É a quarta vez que o Rio Grande do Sul participa do evento, que terá a presença do Papa Francisco, além de artistas e lideranças mundiais. Jovens criam projeto para falar sobre feminicídio nas escolas
Um trio de alunas do 8º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental Maria Emília de Paula, de Sapiranga, na Região Metropolitana de Porto Alegre, vai representar o Brasil em uma conferência sobre educação em Roma, na Itália.
Roberta Caxambu, Betina Garcia e Ketlin Conceição, todas com 14 anos, fazem parte da equipe de brasileiros, de sete estados, que participarão da Conferência Global “Eu Posso” (I Can), em novembro.
O evento terá a presença do Papa Francisco, além de artistas e lideranças mundiais que vão compartilhar experiências de protagonismo, empatia, criatividade e trabalho em equipe para outros dois mil estudantes de todo o mundo.
Além da imersão, o grupo ganhará também o valor de R$ 1,5 mil para o projeto e R$ 500 para o educador.
Clube feminista
Após compartilharem entre si os casos de violência doméstica sofrida por familiares, as alunas se questionaram sobre como essas ocorrências ainda afetavam as mulheres da nova geração.
“A criação do projeto foi após a gente descobrir que tinham casos de violência doméstica na nossa família. A gente viu que esses casos estavam sendo mais cotidianos do que a gente imaginava”.
“Igualdade de gênero, o que é gênero, empoderamento feminino. A gente não sabia o que que era. Com as rodas de conversa, a gente acabou percebendo”, conta Roberta.
Para entender como agir, fizeram uma pesquisa e perceberam que a união era a melhor forma de empoderamento e combate ao feminicídio. Por isso, convidaram alunas de todas as turmas para participarem do clube feminista, um espaço seguro para falar sobre igualdade de gênero e da luta das mulheres no Brasil.
“Eu cheguei em casa, contei algumas coisas que eu aprendi e fiquei sabendo que algumas meninas, minhas primas, sofriam sobre isso. Tentei mudar e consegui um pouco”, conta a aluna Vitória dos Santos, de 13 anos.
A iniciativa teve apoio de uma psicóloga, que conversou sobre relacionamentos abusivos e assédio no ambiente escolar e, também, de uma advogada, que orientou as jovens sobre como proceder em casos de agressão.
“Os três grandes pilares da lei do feminicídio é reconhecer, nomear e punir. Então, o projeto das meninas vem justamente para um desses pilares, que é reconhecer essa violência”, conta a presidente da Comissão da Mulher da OAB de Taquara, advogada Taís Prass Cardoso.
Munidas desses argumentos, as meninas partiram para a conscientização junto aos estudantes dos anos iniciais da própria escola e também em colégios do município vizinho de Nova Hartz. A atividade teve como leitura as obras infantis “Frida Kahlo: para meninas e meninos” e “O fusquinha cor-de-rosa”.
Projeto começou com o compartilhamento de casos de violência doméstica sofrida por familiares.
Arquivo pessoal
A mobilização ganhou o apoio dos alunos, que também se apropriaram da pauta e saíram em defesa da causa.
“Conversando com elas eu aprendi como combater o feminicídio, e saindo das rodas de conversa eu me senti mais segura também”, disse Lívia Padilha, de 11 anos.
Projeto virou lei
Para dar ainda mais voz ao combate da violência contra mulheres, as fundadoras do clube foram em busca do apoio da Secretaria Educação do município e da Câmara de Vereadores. O projeto serviu de inspiração para a criação de uma lei, aprovada na semana passada, que ampara e promove a discussão sobre o combate à violência contra a mulher nas escolas.
“A lei vai dar essa garantia para o educador de como ele vai poder lidar com isso. Ele vai trabalhar essa temática dentro da sala de aula com mais tranquilidade”, conta a procuradora da Procuradoria da Mulher da Câmara de Vereadores de Nova Hartz, Rosa Leães.
Lei pretende dar ainda mais voz ao combate da violência contra mulheres.
Reprodução
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