'Acusação e investigação não estão 100% corretas', diz defesa de Edelvânia Wirganovicz


Segundo Gustavo Nagelstein e Jean Severo, ré foi chantageada a ajudar Graciele a esconder o corpo de Bernardo. Julgamento chegou ao quarto dia nesta quinta-feira (14). Advogado de Edelvânia, Jean Severo, defende que ela foi chantageada a ajudar Graciele
TJ RS / Divulgação
A defesa de Edelvânia Wirganovicz, ré pela morte de Bernardo Boldrini, foi a terceira a apresentar suas razões no julgamento do caso, em Três Passos, no Norte do Rio Grande do Sul, nesta quinta-feira (14). Gustavo Nagelstein e Jean Severo apontaram o que acreditam ser falhas na denúncia do Ministério Público e dos resultados periciais. “Acusação e investigação não estão 100% corretas”, afirmaram.
Eles ainda reiteraram que Edelvânia se envolveu no caso ao ser chamada para ajudar Graciele ao se encontrar com um amante, e depois coagida a participar na ocultação do corpo.
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“Uma coisa tenho certeza: a motivação apresentada pelo Ministério Público é frágil. Não pode ser suporte na condenação dela. A participação dela não pode ser considerada igual ao do pai e da madrasta”, apontou Nagelstein.
“Ela entra de gaiato, e hoje tá aqui”, exclamou Severo, enquanto chamava a ré para ir até a frente dos jurados, mostrando uma tatuagem em que se lê “mãe”, na mão de Edelvânia. “Ela sabe que errou”, disse Severo. “Eu errei”, confirmou Edelvânia aos jurados.
Os advogados reiteram que Edelvânia não teve intenção ao participar do crime, e que deveria ser condenada somente pela ocultação do cadáver. Além disso, também defenderam ter havido falhas nas perícias que constataram a presença da substância que matou Bernardo. “A grande verdade que se encontra nos autos é que não tem como se apontar a existência do Midazolam”, disse Gustavo.
A defesa também afirma que a constatação da denúncia de que soda cáustica teria sido jogada sobre o corpo do menino não está comprovada nos autos. E reafirmou a versão apresentada pela ré, de que teria sido coagida na delegacia para confessar.
“Edelvânia e o irmão dela não tinha motivação”, complementou Gustavo, rejeitando a versão de que a ré teria aceito dinheiro para pagar um financiamento residencial para participar do crime. “Dizer que a pessoa não pode conseguir R$ 6 mil reais é preconceito”.
Fase de debates
Após a explanação do Ministério Público, a defesa de cada um dos réus tem uma hora para se manifestar. Para não interromper o debate entre acusação e defesa, a juíza optou por estender a sessão nesta quinta, que será mais extensa do que nos dias anteriores.
A defesa de Leandro Boldrini foi a primeira a se manifestar, e alegou ter provas de que o pai não matou Bernardo. A segunda defesa a falar foi a de Graciele que sustentou que a morte de Bernardo foi um acidente.
Pode haver uma réplica de duas horas para o Ministério Público e uma tréplica, do mesmo período, dividida entre as quatro defesas. É nessa fase do julgamento que as partes defendem suas teses sobre o ocorrido, buscando convencer os jurados.
Essa é a última etapa antes que o Conselho de Sentença do Tribunal do Júri, formado por sete pessoas, decida se os réus são culpados ou inocentes. A expectativa é que a sentença seja proferida pela juíza Sucilene Engler nesta sexta-feira (15).
Réus respondem aos crimes
O pai, Leandro Boldrini, por homicídio com quatro qualificadoras (motivo torpe, fútil, com emprego de veneno e mediante dissimulação) e falsidade ideológica
A madrasta, Graciele Ugulini, por homicídio com quatro qualificadoras (motivo torpe, fútil, com emprego de veneno e mediante dissimulação)
Os irmãos, Edelvânia e Evandro Wirganovicz, por homicídio duplamente qualificado
Todos também respondem por ocultação de cadáver.
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