A explosão da mulher na música do Brasil em 1979 ecoa há 40 anos – A estreia de Fátima Guedes


A VOZ DA MULHER EM 1979 (PARTE 2) – Sempre atenta aos sinais, Elis Regina (1945 – 1982) pôs os olhos de farol na então desconhecida produção autoral de Fátima Guedes e incluiu a música Meninas da cidade no roteiro do show Transversal do Tempo, estreado por Elis em 17 de novembro de 1977, no Teatro Leopoldina, em Porto Alegre (RS), cidade natal da cantora gaúcha.
Na sequência, em 1978, Wanderléa gravou outra música de Fátima, Bicho medo, no álbum Mais que a paixão.
Estava preparado o terreno para a gravadora EMI-Odeon apostar na novata cantora e compositora carioca nascida em 1958 que, com vinte e poucos anos, fazia música com densidade que desmentia a linda juventude.
Com o aval de Elis e do mercado fonográfico, Fátima Guedes – que compunha desde os 15 anos e, desde 1973, já mostrava as próprias músicas em festivais regionais – encorpou o exército feminino que fez a revolução na música brasileira em 1979, com os lançamentos simultâneos de várias cantoras e compositoras de peso.
Lançado naquele ano de 1979, o álbum de estreia da artista, Fátima Guedes, apresentou uma cantora compositora de alma e obra densas, intensas. Uma compositora que, ciente de que a verdade não rima nas esferas pública e privada, ia fundo tanto ao falar de questões afetivas como de problemas sociais.
Passional – uma das primeiras músicas da artista – e Onze fitas, tema que a antenada Elis incluiria no show Saudade do Brasil (1980), são exemplos da maturidade precoce da autora.
Nesse mesmo ano de 1979, outra música de Fátima, Condenados, foi lançada na voz de Simone em um dos melhores álbuns da cantora, Pedaços, e reiteraria a força da sensualidade feminina que deu o tom na MPB naquele ano. O amor e o sexo ganharam a ótica e a voz da mulher.
Decorridos 40 anos, Fátima Guedes ainda é compositora valorizada por intérpretes – uma música dela, aliás, está prevista no repertório do álbum que Fafá de Belém pretende lançar em 2019, Projeto humana.
De todo modo, a partir dos anos 1990, a compositora foi se exercitando e se aprimorando como intérprete de obras alheias. Foi nessa década que a discografia de Fátima Guedes foi ficando menos autoral, com a honrosa exceção do álbum Muito intensa (1999), lançado há 20 anos com repertório essencialmente inédito e autoral, e do recente Transparente (2015), calcado em recriações da criação.
Contudo, a compositora jamais deixou de produzir. Volta e meia, Fátima Guedes joga na rede uma música inédita para fisgar os admiradores desse cancioneiro de singular assinatura melódica e poética. Se a indústria da música já ignora obra de tal dimensão, é porque a verdade não rima, a verdade não rima, a verdade não rima…
Acompanhe a série temática do blog sobre a revolução musical feminina de 1979:
A explosão da mulher na música do Brasil em 1979 ecoa há 40 anos – A estreia de Marina Lima

Editoria de Arte / G1
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